Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco e...
A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde.
Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara.
Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística
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Tema central da questão: A questão aborda variações linguísticas, especificamente a variedade ocupacional — ou seja, o emprego de vocabulário e estruturas linguísticas próprias de um campo profissional.
Por que a alternativa correta é a letra E?
A variedade linguística ocupacional refere-se ao uso de termos, jargões e construções características de uma área de atuação ou profissão. No texto apresentado, Evanildo Bechara fala de modo técnico e com ênfase em relações conceituais da área de linguística, como ao dividir leituras entre "científica" e "literária" ou ao comentar sobre palavras de origem estrangeira. Segundo Cunha & Cintra (2008), o vocabulário profissional distingue-se pelo emprego de palavras especializadas e, frequentemente, por um tom mais formal e analítico.
Essas marcas não revelam apenas erudição, mas alinhamento com a linguagem corriqueira entre filólogos e gramáticos, ou seja, representam a variedade ocupacional. A análise técnica dos termos e a precisão ao tratar de temas linguísticos mostram esse pertencimento ao grupo profissional.
Análise das alternativas incorretas:
A) Situacional: O contexto influencia a escolha do registro da linguagem, mas o destaque da questão está no uso técnico e profissional do vocabulário, não em uma adequação apenas ao momento da conversa.
B) Regional: O texto não exibe traços do português regional. Não há expressões do dialeto pernambucano, por exemplo.
C) Sociocultural: Embora a formação influencie o uso do idioma, a resposta procura o aspecto profissional do vocabulário, não apenas o refinamento cultural ou social.
D) Geracional: Não aparecem marcas ligadas a uma geração específica. O destaque do texto é o conteúdo técnico, não gírias de época ou formas antigas de linguagem.
Estratégia para questões semelhantes: Ao se deparar com termos técnicos ou menções de processos internos de uma profissão, identifique se o emprego da linguagem está relacionado à atividade profissional. Lembre-se de distinguir a ocupacional das demais variações.
Resumo da regra: Variedade ocupacional ocorre quando há uso de termos e construções típicos de grupos profissionais. Exemplo: “Paciente apresenta sintomas de cefaleia e mialgia.” — linguagem típica do campo da saúde.
Portanto, gabarito: E) ocupacional.
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Comentários
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Resposta letra E
Uma dica: eu errei e coloquei geracional, porém, o texto foca na profissão dele, não na idade
minha análise:
A) situacional, pois o contexto exige o uso da linguagem formal.
não, existe um trecho que diz que até em perguntas simples ele utilizava uma linguagem rebuscada
B) regional, pois ele traz marcas do falar de seu local de nascimento.
não, ele não utiliza nenhuma expressão ou gíria regional.
C) sociocultural, pois sua formação pressupõe o uso de linguagem rebuscada.
negativo, ele pode ser graduado pos graduado e etc e falar de maneira simples, sua formação não pressupõe o uso rebuscado da língua.
D)geracional, pois ele emprega termos característicos de sua faixa etária.
errada, acredito que não existem termos característicos de uma faixa etária, (ex: toda pessoa de 90 anos fala isso) e caso exista ele não falou.
E) ocupacional, pois ele faz uso de termos específicos de sua área de atuação.
correto
A) situacional, pois o contexto exige o uso da linguagem formal.
A letra A está incorreta porque, embora o contexto exija o uso da linguagem formal em algumas situações, não há evidência clara de que o uso da linguagem formal seja o único fator determinante das falas de Bechara, mas sim o seu conhecimento técnico.
B)regional, pois ele traz marcas do falar de seu local de nascimento.
A letra B está incorreta porque não há marcas explícitas do falar do local de nascimento de Bechara (Pernambuco), como um sotaque ou expressões típicas da região, o que caracterizaria uma variedade regional.
C)sociocultural, pois sua formação pressupõe o uso de linguagem rebuscada.
A letra C está incorreta porque, embora Bechara tenha uma formação filológica e científica, a fala dele não é simplesmente "rebuscada", mas sim técnica, fazendo observações sobre questões linguísticas de maneira precisa e profissional, o que é mais relacionado ao seu campo de atuação do que a uma postura sociocultural.
D)geracional, pois ele emprega termos característicos de sua faixa etária.
A letra D está incorreta porque as falas de Bechara não trazem termos característicos ou jargões específicos de sua faixa etária, mas sim de sua profissão, evidenciando a variedade ocupacional, não geracional.
E)ocupacional, pois ele faz uso de termos específicos de sua área de atuação.
A letra E está correta, pois as falas atribuídas a Evanildo Bechara fazem uso de termos específicos da sua área de atuação, a filologia e a gramática. O texto destaca que Bechara adota um tom técnico e faz observações precisas sobre a linguagem, como quando questionado sobre seu tipo de leitura, e ele responde dividindo-a entre científica e literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas. Além disso, ele comenta sobre o uso de um estrangeirismo ("reportado") no aplicativo de navegação, o que é uma análise detalhada e técnica de um aspecto da língua.
A resposta simplesmente está no texto. "[...] que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais."
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