Questões do Enem Sobre teoria literária em literatura

Foram encontradas 3 questões

Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: ENEM Prova: INEP - 2025 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio |
Q3761091 Literatura

Símbolos



Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento

do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...

Um símbolo descubro aqui, neste momento

esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.


O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento

de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.

Como compreendo bem da rocha o sentimento!

São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.


Contemplo neste quadro a nossa triste vida;

tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,

tem carinhos de amor e fúrias de demência!


Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,

sou rocha a emergir de um côncavo de areia,

imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.


MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:

Cátedra/MEC, 1978.

Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao
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Q3159746 Literatura
Data venia
Conheci Bentinho e Capitu nos meus curiosos e antigos quinze anos. E os olhos de água da jovem de Matacavalos atraíram-me, seduziram-me ao primeiro contato. Aliados ao seu jeito de ser, flor e mistério. Mas tomou-me também a indignação diante do narrador e seu texto, feito de acusação e vilipêndio. Sem qualquer direito de defesa. Sem acesso ao discurso, usurpado, sutilmente, pela palavra autoritária do marido, algoz, em pele de cordeiro vitimado. Crudelíssimo e desumano: não bastasse o que faz com a mulher, chega a desejar a morte do próprio filho e a festejá-la com um jantar, sem qualquer remorso. No fundo, uma pobre consciência dilacerada, um homem dividido, que busca encontrar-se na memória, e acaba faltando-se a si mesmo. Retomei inúmeras vezes a triste história daquele amor em desencanto. Familiarizei-me, ao longo do tempo, com a crítica do texto; poucos, muito poucos, escapam das bem traçadas linhas do libelo condenatório; no mínimo concedem à ré o beneplácito da dúvida: convertem-na num enigma indecifrável, seu atributo consagrador.
Eis que, diante de mais um retorno ao romance, veio a iluminação: por que não dar voz plena àquela mulher, brasileira do século XIX, que, apesar de todas as artimanhas e do maquiavelismo do companheiro, se converte numa das mais fascinantes criaturas do gênio que foi Machado de Assis?
A empresa era temerária, mas escrever é sempre um risco. Apoiado no espaço de liberdade em que habita a Literatura, arrisquei-me.
O resultado: este livro em que, além-túmulo, como Brás Cubas, a dona dos olhos de ressaca assume, à luz do mistério da arte literária e do próprio texto do Dr. Bento Santiago, seu discurso e sua verdade.

PROENÇA FILHO, D. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Atrium, 1998.


Para apresentar a apropriação literária que faz da obra de Machado de Assis, o autor desse texto
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Q3159742 Literatura
— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode?
— perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.

Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
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Respostas
1: E
2: E
3: D