A África é um continente marcado pelos contrastes e teve sua...

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Ano: 2013 Banca: UNEB Órgão: UNEB Prova: UNEB - 2013 - UNEB - Vestibular - Português/Inglês/Ciências |
Q1393982 História

Lembranças de Makoko, uma das mais famigeradas comunidades de posseiros em Lagos, na Nigéria — metrópole presa entre a modernidade e a miséria. Com centenas de modos de transferência assíncronos (ATM, na sigla em inglês), recordes de centros de internet e milhões de telefones celulares, essa cidade agitada e congestionada com 8 milhões a 17 milhões de habitantes (dependendo de onde se traça a linha de contorno ou de quem faz a contagem) está conectada à grade global. Centro internacional de negócios empresariais e capital comercial do país mais populoso da África, Lagos atrai perto de 600 mil novos visitantes todos os anos. Mas a maioria dos bairros, mesmo alguns dos melhores, não dispõe de água encanada, saneamento básico e eletricidade. Makoko — parte sobre terra firme, parte flutuando sobre lagoas — é uma das comunidades mais carentes da megalópole.

Bairros como esse existem no mundo todo. [...]

Quando os governos negam a essas comunidades o direito de existir, as pessoas demoram mais para melhorar suas casas. Quando as autoridades do Rio de Janeiro decretaram guerra às favelas nos anos 60, por exemplo, as pessoas temiam ser expulsas de suas casas, ou que estas fossem incendiadas e por isso não tinham pressa em melhorá-las. A maioria das favelas permaneceu primitiva — pouco diferentes das cabanas de barro e dos barracos de madeira de Mumbai e Nairóbi. Mas quando os políticos perceberam a reação e passaram a se comprometer com as comunidades, elas começaram a proliferar sem controle. (NEUWIRTH, 2013. p. 22-24-26).

A África é um continente marcado pelos contrastes e teve sua história intimamente relacionada ao desenvolvimento econômico da Europa, durante
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa B

Tema central: a questão aborda a relação entre a história africana e o desenvolvimento econômico europeu — especialmente como a expansão imperialista do século XIX integrou o continente africano ao capitalismo industrial europeu.

Resumo teórico: a Revolução Industrial gerou excedente de capital, necessidade de matérias‑primas e mercados consumidores. Do fim do século XVIII ao XIX, as potências europeias aceleraram a ocupação formal da África (a "Partilha da África"), cristalizada na Conferência de Berlim (1884–85). O objetivo não foi só dominação política, mas abrir mercados, garantir recursos e aplicar capitais — explicação consensual em história econômica e nas análises do imperialismo (cf. Lenin, “O Imperialismo, fase superior do capitalismo”, e estudos sobre a partilha colonial).

Por que a alternativa B é correta: ela descreve com precisão a dinâmica econômica e política do século XIX — a penetração europeia motivada pela ampliação de mercados e aplicação de capital industrial — que torna a história africana íntima ao desenvolvimento econômico europeu.

Análise das alternativas incorretas:

A — incorreta: trata do tráfico escravista e de práticas africanas adaptadas pelos europeus na colonização americana. Esse vínculo é real para os séculos XVI–XIX e para a formação do capitalismo atlântico, mas não responde ao enunciado que remete ao papel do século XIX e da expansão imperialista europeia em relação ao desenvolvimento econômico da Europa.

C — incorreta: a II Guerra Mundial não promoveu um desenvolvimento autônomo das sociedades africanas; ao contrário, enfraqueceu potências coloniais e acelerou processos de descolonização depois, mas não houve desenvolvimento autônomo imediatamente decorrente do conflito — muitos territórios continuaram dependentes e subordinados economicamente.

D — incorreta: a Guerra Fria aumentou, e não diminuiu, o interesse das superpotências por África; EUA e URSS disputaram influência política e econômica no continente, financiando governos e movimentos.

E — incorreta: o processo de descolonização e a criação da Organização da Unidade Africana (1963) foram importantes, mas não representaram um princípio universal de pan‑africanismo que tenha garantido negociações pacíficas e retorno econômico com França e Inglaterra; muitos laços neocoloniais e conflitos persistiram.

Dica de interpretação: ao ver “intimamente relacionada ao desenvolvimento econômico da Europa”, busque na alternativa a explicação que mencione industrialização, mercados e capital — é sinal de relação econômica do século XIX.

Fontes úteis: Neuwirth (2013) para urbanismo/condições sociais; Conferência de Berlim (1884–85); Lenin, O Imperialismo (1917) para a explicação do excedente de capital e expansão imperial.

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