Nesse fragmento do poema,
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer...
Prende-os a mesma corrente
– Férrea, lúgubre serpente –
Nas roscas da escravidão.
E assim roubados à morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoite... Irrisão!...
(Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro – tragédia no mar.)
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Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a organização do fragmento em pares antitéticos, marcada pela repetição de “Ontem” e “Hoje” e pelo contraste entre os trechos “Ontem a Serra Leoa, / A guerra, a caça ao leão, / O sono dormido à toa / Sob as tendas d’amplidão! / Hoje... o porão negro, fundo, / Infecto, apertado, imundo” e “Ontem plena liberdade, / A vontade por poder... / Hoje... cúm’lo de maldade, / Nem são livres p’ra morrer...”. Essa estrutura semântica e discursiva é a base textual que permite reconhecer a alternativa B como a que melhor descreve o fragmento.
- Quando o texto repete marcadores como “Ontem” e “Hoje”, verifique se eles estruturam uma oposição central, e não apenas a passagem do tempo.
- Em interpretação, observe os campos semânticos de cada bloco do texto: aqui, liberdade, amplidão e poder se opõem a porão, peste, corrente e açoite.
- Não confunda linguagem emotiva e trágica com aceitação passiva; o valor do léxico pode indicar denúncia e condenação.
- Se a alternativa fala em recurso restrito a uma parte do texto, confira se a mesma estrutura não reaparece em outro trecho.
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Comentários
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Ao longo do poema, vemos várias oposições como; "sono dormido à toa/sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado" ; "Ontem plena liberdade/Hoje... cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer..."
Gab - B
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