Nesse fragmento do poema,

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Q215414 Português
Instrução: Leia o excerto para responder às questões de números 11 e 12.

   Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer...
Prende-os a mesma corrente
– Férrea, lúgubre serpente –
Nas roscas da escravidão.
E assim roubados à morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoite... Irrisão!...

(Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro – tragédia no mar.)

Nesse fragmento do poema,
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a organização do fragmento em pares antitéticos, marcada pela repetição de “Ontem” e “Hoje” e pelo contraste entre os trechos “Ontem a Serra Leoa, / A guerra, a caça ao leão, / O sono dormido à toa / Sob as tendas d’amplidão! / Hoje... o porão negro, fundo, / Infecto, apertado, imundo” e “Ontem plena liberdade, / A vontade por poder... / Hoje... cúm’lo de maldade, / Nem são livres p’ra morrer...”. Essa estrutura semântica e discursiva é a base textual que permite reconhecer a alternativa B como a que melhor descreve o fragmento.

Tema central: oposição liberdade escravidão
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o paralelismo não aparece apenas na primeira estrofe. A segunda também repete a mesma organização contrastiva com “Ontem” e “Hoje”, mantendo a construção paralelística e anafórica em duas partes opostas.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica o eixo de sentido dominante do excerto: a escravidão é construída por meio de oposições intensas entre passado e presente, liberdade e aprisionamento, amplidão e clausura, autonomia e degradação. O contraste é explícito e organiza o fragmento como denúncia.
C
Errada
Está errada porque a sequência de valores semânticos indicada não se sustenta no fragmento. “Leão” integra a referência ao contexto africano e pode ser lido literalmente na cena evocada; já “jaguar”, em “Tendo a peste por jaguar”, e “serpente”, em “Férrea, lúgubre serpente”, são empregos metafóricos. Portanto, a alternativa erra ao classificar o conjunto como dois usos denotativos seguidos de um metafórico.
D
Errada
Está errada porque introduz “resignação”, e a base textual aponta o contrário: o tom é indignado e condenatório. Expressões como “cúm'lo de maldade”, “Irrisão” e a enumeração degradante do porão mostram denúncia intensa da escravidão, não conformação diante dela.
E
Errada
Está errada porque a afirmação de alternância fixa entre sete e oito sílabas poéticas não se sustenta como caracterização do conjunto dos versos do fragmento. A própria base registra que a metrificação não corresponde ao padrão alternado enunciado.
Pegadinha da questão
A banca explora principalmente a chance de o candidato ver “Ontem/Hoje” só como marca temporal e não perceber que essa repetição organiza o poema inteiro por oposições de sentido; também induz ao erro quem confunde tom trágico com resignação.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto repete marcadores como “Ontem” e “Hoje”, verifique se eles estruturam uma oposição central, e não apenas a passagem do tempo.
  • Em interpretação, observe os campos semânticos de cada bloco do texto: aqui, liberdade, amplidão e poder se opõem a porão, peste, corrente e açoite.
  • Não confunda linguagem emotiva e trágica com aceitação passiva; o valor do léxico pode indicar denúncia e condenação.
  • Se a alternativa fala em recurso restrito a uma parte do texto, confira se a mesma estrutura não reaparece em outro trecho.

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Ao longo do poema, vemos várias oposições como; "sono dormido à toa/sono sempre cortado

Pelo arranco de um finado" ; "Ontem plena liberdade/Hoje... cúm’lo de maldade,

Nem são livres p’ra morrer..."

Gab - B

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