Escrever uma notícia significa, na maior parte do tempo, um ...

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Ano: 2022 Banca: INEP Órgão: MEC Prova: INEP - 2022 - MEC - Jornalismo |
Q2186500 Jornalismo
Escrever uma notícia significa, na maior parte do tempo, um esforço para coordenarinformações de várias fontes, às vezes contraditórias, em uma escrita compreensível para o leitor, isto é, reduzir a complexidade de vários eventos em um texto simples e legível, com limites claros de tamanho, tempo de criação e dificuldade.
MARTINO, L. M. S. Teoria da Comunicação. Petrópolis: Vozes, 2009 (adaptado).
Considerando que o texto apresentado remete a estudos de newsmaking, avalie as afirmações a seguir.
I. Em um texto jornalístico, dar espaço ao contraditório é uma estratégia utilizada pelo repórter para se proteger de críticas a possível distorção da notícia.
II. As notícias são o resultado de várias escolhas e seleções feitas por jornalistas, editores e empresas de comunicação a respeito de como um fato pode ser transformado em texto.
III. Existe simetria entre o número de eventos reais e o espaço de um jornal ou programa de televisão.
IV. As escolhas feitas pelo jornalista ao escrever uma notícia vão mudar, em algum grau, o modo como os leitores vão entendê-la.
É correto apenas o que se afirma em
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado: Letra D) I, II e IV

Tema central: O tema da questão é a Teoria do Newsmaking, que aborda como as notícias são construídas em meio à rotina jornalística, às escolhas dos profissionais e às limitações do veículo.

Comentando cada afirmação:

I. Correta. Dar espaço ao contraditório é uma tática bastante usada para prevenir críticas à suposta parcialidade, além de cumprir o princípio jornalístico da objetividade. Como destacam autores como Nelson Traquina e Luiz Martino, o contraditório protege a reputação do jornalista e garante pluralidade.

II. Correta. A essência do newsmaking está em reconhecer que notícias resultam de seleções e escolhas de repórteres, editores e empresas. Isso inclui desde decidir o que noticiar até quais fontes priorizar, seguindo valores-notícia (exemplos: atualidade, proximidade, ineditismo).

III. Incorreta. Aqui está uma pegadinha clássica: afirma-se uma simetria que não existe. Há muito mais fatos do que espaço em qualquer jornal ou programa, por isso as empresas fazem recortes. Isso mostra que o processo jornalístico é seletivo e nunca consegue abranger toda a realidade ao mesmo tempo.

IV. Correta. As decisões na redação — desde a escolha de ângulo, fontes, palavras até a estrutura — impactam a compreensão do leitor. Isso é central nas teorias de recepção e produção de sentido em jornalismo, como destacam Traquina e Martino.

Análise das alternativas:

Apenas a letra D reúne todas as afirmações corretas: I, II e IV. As alternativas que incluem III estão erradas por não reconhecerem as limitações físicas e editoriais dos veículos. As demais ou ignoram a seleção interna do jornalismo, ou desconsideram a importância do contraditório, ambos essenciais ao newsmaking.

Estratégia para provas: Fique atento(a) a frases como “existe simetria/perfeita equivalência”, “todos” ou “sempre”, pois elas costumam indicar erros conceituais. Valorize termos que indiquem processo, escolha, construção.

Referência: Martino, “Teoria da Comunicação”; Traquina, “Jornalismo: questões, teorias e histórias”.

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