“Vale dizer que, naquele momento, não se reconhecia com ...
A aclamação no Rio de Janeiro, com a presença efetiva de D. Pedro, ocorreu em 12 de outubro de 1822, depois que o Senado da Câmara do Rio de Janeiro tomou para si a tarefa de congregar as adesões e investir D. Pedro na condição de rei constitucional. Conciliava-se, aí, a data do aniversário do imperador com o descobrimento da América, reforçando seus vínculos. [...]
A coroação de D. Pedro I acontece em 1º de dezembro de 1822, no Rio de Janeiro, depois de várias aclamações, das adesões das Câmaras, do início da guerra de Independência. [...] SOUZA, I.L.C. A independência do Brasil.
Considerando o texto, e com base em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Resposta correta: D
Tema central: legitimação da Independência do Brasil (1822) e o papel das cerimônias, aclamações e da figura de D. Pedro I na construção de reconhecimento interno e externo.
Resumo teórico: A Independência não foi apenas um ato militar; exigiu ritos públicos, aclamações, coroações e negociações políticas para obter reconhecimento das elites locais e das cortes estrangeiras. Essas práticas buscavam conferir legitimidade a um regime monárquico novo, mas havia fragilidades: ausência de projeto institucional consolidado, conflitos regionais e dependência de acordos com as elites locais (ver: SOUZA, I.L.C.; também Boris Fausto; José Murilo de Carvalho).
Justificativa da alternativa D (correta): O texto afirma que a independência precisou de ritos (aclamações, coroação) para legitimação e ressalta que, apesar dessas cerimônias em torno de D. Pedro, faltou um projeto efetivo que garantisse consolidação imediata. Isso corresponde à alternativa D: legitimação por ritos e celebrações, mas com ameaças à consolidação nos primeiros anos. Fontes relevantes: SOUZA (texto dado), Constituição de 1824 (consolidação tardia) e estudos de historiadores como Boris Fausto e José Murilo de Carvalho sobre a fragilidade institucional inicial.
Análise das alternativas incorretas:
A: Erra ao afirmar que populares confiaram exclusivamente em D. Pedro para seus direitos. A independência foi liderada pelas elites; as camadas populares não tiveram representação efetiva e não houve real promessa universal de direitos imediatos.
B: Incorreta porque a escolha de um Bragança no trono não sinalizou ruptura com as monarquias europeias — pelo contrário, buscou continuidade dinástica e reconhecimento internacional; não foi uma estratégia de isolamento econômico-político.
C: Alega que o Império alcançaria seu auge com D. Pedro I e que ele foi responsável direto e consolidador. Isso exagera: D. Pedro I foi central na proclamação, mas seu governo teve crises (abdicou em 1831); a consolidação veio de forma gradual e problemática.
E: Apesar de corretamente situar a independência num contexto de crise colonial e acomodação elite, erra ao afirmar que a sacralização do imperador refletia anseios populares de melhoria — a sacralização era mais um mecanismo das elites para legitimar o novo regime, não expressão direta das massas.
Estratégia para resolver enunciados semelhantes: identifique o núcleo do texto (legitimação, ritos, projeto político) e compare com cada alternativa — cuidado com frases que extrapolam (p.ex., “populares” como sujeitos ativos) ou que atribuem causalidade exagerada a indivíduos.
Principais referências: SOUZA, I.L.C.; Fausto, B.; Carvalho, J. M.; Constituição de 1824.
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