“O fim último, causa final de desígnio dos homens (que a...

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Ano: 2011 Banca: Universidade Presbiteriana Mackenzie Órgão: MACKENZIE Prova: Universidade Presbiteriana Mackenzie - 2011 - MACKENZIE - vestibular |
Q1338575 História
“O fim último, causa final de desígnio dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com a vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a consequência necessária [...] das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis da natureza [...]”.

“Portanto todo homem, pelo ato de [concordar] [...] com outros em formar um corpo político debaixo de um governo, se obriga para com cada um dos membros dessa sociedade a se submeter à determinação da maioria, e a ser governado por ela”.

Pela análise dos excertos, conclui-se que
Alternativas

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Alternativa correta: C

Tema central: contrato social e teorias políticas do século XVII–XVIII. A questão exige distinguir duas tradições: o pensamento que justifica um poder soberano forte para evitar a guerra civil (Hobbes/absolutismo) e o pensamento iluminista-liberal que funda o governo pela vontade/decisão da maioria (Locke/iluminismo).

Resumo teórico (claro e progressivo):

  • Thomas Hobbes — obra principal: Leviathan (1651). Parte do “estado de natureza” como condição de guerra; a saída é um contrato que cria um soberano com poderes amplos para garantir segurança e ordem. Destaque: expressão de necessidade de “poder visível” e “medo do castigo”.
  • John Locke — obra: Second Treatise of Government (1689). Também usa contratualismo, mas vê a sociedade política como fundada para proteger direitos naturais; governo legítimo deriva do consentimento e da decisão majoritária dos indivíduos. Destaque: submissão à determinação da maioria.

Justificativa da alternativa C: A opção C identifica corretamente as raízes: o primeiro excerto apresenta argumentos hobbesianos (pressuposto absolutista: poder punitivo e autoridade central para evitar a guerra), enquanto o segundo corresponde ao iluminismo/liberalismo contratualista (governo formado a partir das decisões da maioria). Assim, interpreta com precisão autores e pressupostos.

Análise das alternativas incorretas (por que erram):

  • A: confunde o primeiro excerto com anarquismo. Pelo contrário, o texto defende um poder capaz de coagir para evitar a guerra—posição oposta ao anarquismo.
  • B: descreve o segundo como liberal, mas atribui-lhe um governo autoritário que suprime liberdades em nome da vontade do governante — característica incompatível com o liberalismo lockeano, que enfatiza direitos e consentimento popular.
  • D: afirma que ambos negam prática coercitiva; errado: o primeiro aceita explicitamente coerção estatal como necessária (poder visível, castigo).
  • E: inverte os papéis: coloca o absolutismo como mera coleção de regras sociais e o iluminismo como punitivo — inversão dos perfis teóricos reais de Hobbes e Locke.

Dica de interpretação rápida para provas: busque palavras-chave: “guerra no estado de natureza”, “poder visível”, “medo do castigo” → Hobbes/absolutismo; “determinação da maioria”, “consentimento” → Locke/iluminismo. Essas pistas identificam o autor e a tradição em poucas palavras.

Fontes recomendadas: Thomas Hobbes, Leviathan (1651); John Locke, Second Treatise of Government (1689). Para revisão, consulte manuais de História Moderna e textos sobre contratualismo e Iluminismo.

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