As estrofes confirmam a ideia de que, para Caeiro, o homem d...

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Ano: 2011 Banca: Universidade Presbiteriana Mackenzie Órgão: MACKENZIE Prova: Universidade Presbiteriana Mackenzie - 2011 - MACKENZIE - vestibular |
Q1338538 Português
Texto para a questão

01 O essencial é saber ver,
02 Saber ver sem estar a pensar,
03 Saber ver quando se vê,
04 E nem pensar quando se vê,
05 Nem ver quando se pensa.

06 Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)
07 Isso exige um estudo profundo,
08 Uma aprendizagem de desaprender [...].
Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa
As estrofes confirmam a ideia de que, para Caeiro, o homem deve estabelecer com o mundo uma relação eminentemente
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a antítese entre percepção e pensamento, ativada pelo trecho “O essencial é saber ver, / Saber ver sem estar a pensar, / Saber ver quando se vê, / E nem pensar quando se vê, / Nem ver quando se pensa.”; como o poema valoriza o contato direto com o real pelo ato de ver e rejeita a mediação do pensar, a relação com o mundo é eminentemente sensorial.

Tema central: percepção sensível do mundo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a relação metafísica supõe abstração, e o texto faz o movimento oposto: contrapõe “ver” a “pensar” e valoriza a percepção concreta. A base exclui explicitamente as opções associadas à abstração.
B
Errada
Está errada porque o poema não organiza a relação com o mundo pela afetividade. Não há predominância de marcas de emoção; o eixo lexical e semântico do trecho é a percepção, não a emotividade.
C
Errada
Está errada por contradição direta com o texto: “Saber ver sem estar a pensar” e “E nem pensar quando se vê”. A questão pede o traço predominante da relação com o mundo, e o poema nega explicitamente que esse traço seja racional. A expressão “estudo profundo” não muda isso, porque ela é redefinida por “Uma aprendizagem de desaprender [...]”.
D
Certa
A alternativa D se sustenta porque o campo semântico dominante do trecho é o da percepção, concentrado na repetição de “ver”. Além disso, o texto separa explicitamente “ver” de “pensar”, o que mostra que a apreensão do mundo defendida pelo eu lírico é imediata, perceptiva e não abstrata. O verso “Uma aprendizagem de desaprender [...]” reforça essa recusa dos filtros intelectuais. Por isso, o traço predominante pedido pela questão é o sensorial.
E
Errada
Está errada porque o texto não espiritualiza a relação com o mundo. A referência a “alma” não aparece como valorização da interioridade espiritual, mas em contexto crítico: “triste de nós que trazemos a alma vestida!”. Isso reforça a ideia de que elementos interiores ou revestimentos mentais dificultam a percepção direta.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato ler “ver” como atividade intelectual ou se deixar levar por expressões isoladas como “estudo profundo” e “alma”. Mas o próprio texto impede essa leitura ao opor “ver” a “pensar”, ao falar em “aprendizagem de desaprender” e ao tratar “alma vestida” de modo crítico.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o campo semântico que mais se repete no trecho; aqui, a repetição de “ver” organiza o sentido central.
  • Quando o texto opõe dois verbos ou ideias, decida pela alternativa que acompanha o polo valorizado e elimine a que fica do lado negado.
  • Não classifique o texto por uma palavra isolada; leia o complemento que redefine seu sentido, como em “estudo profundo” seguido de “aprendizagem de desaprender”.

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