No contexto da obra do poeta, a imagem alma vestida (verso 0...

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Ano: 2011 Banca: Universidade Presbiteriana Mackenzie Órgão: MACKENZIE Prova: Universidade Presbiteriana Mackenzie - 2011 - MACKENZIE - vestibular |
Q1338537 Português
Texto para a questão

01 O essencial é saber ver,
02 Saber ver sem estar a pensar,
03 Saber ver quando se vê,
04 E nem pensar quando se vê,
05 Nem ver quando se pensa.

06 Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)
07 Isso exige um estudo profundo,
08 Uma aprendizagem de desaprender [...].
Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa
No contexto da obra do poeta, a imagem alma vestida (verso 06) pode ser corretamente compreendida assim:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a interpretação contextual da metáfora em relação à oposição entre ver e pensar: "Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)/ Isso exige um estudo profundo,/ Uma aprendizagem de desaprender [...]" mostra que "alma vestida" nomeia uma percepção recoberta por aprendizagens prévias, e o verbo "desaprender" confirma que há valores, ideias e hábitos já incorporados que impedem o "saber ver" imediato; por isso, a alternativa A é a que corresponde ao sentido do poema.

Tema central: metáfora contextual
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque traduz a ideia central de que o ser humano não vê o mundo de modo puro e direto: sua percepção já vem mediada por conteúdos aprendidos. No poema, o eu lírico valoriza "saber ver sem estar a pensar" e afirma que isso exige "Uma aprendizagem de desaprender [...]"; logo, a expressão "alma vestida" designa uma interioridade coberta por formas adquiridas de pensar e perceber. Embora a formulação da alternativa amplie o dado textual, ela é a paráfrase mais compatível com o condicionamento mental e cultural indicado no trecho.
B
Errada
Está errada porque desloca o sentido da metáfora para o campo moral dos relacionamentos. O poema trata do modo de perceber o real, não de mesquinhez humana nem de sinceridade interpessoal. Não há base textual para essa mudança temática.
C
Errada
Está errada porque introduz uma leitura teológica sem apoio no texto. Não aparece nenhuma referência a pecado original, doutrina cristã ou realização religiosa. Ler "alma" em chave religiosa aqui é extrapolação indevida.
D
Errada
Está errada porque transforma um obstáculo de percepção em impossibilidade absoluta. O poema afirma que é preciso "desaprender" para alcançar o ver essencial; portanto, há dificuldade causada por revestimentos prévios, não a tese de que a essência da alma seja inatingível.
E
Errada
Está errada porque inverte o valor da imagem. No verso "triste de nós que trazemos a alma vestida!", a condição é negativa, não protetora. Além disso, o poema elogia o contato direto com o mundo sensível; por isso, "vestida" não significa defesa contra apelos mundanos, mas recobrimento que impede ver.
Pegadinha da questão
A banca explora a tentação de ler "alma" em sentido moral ou religioso e "vestida" como proteção positiva, quando o contexto mostra exatamente o contrário: trata-se de mediações mentais e aprendidas que afastam o ver imediato, confirmado por "Uma aprendizagem de desaprender [...]".
Dica para questões semelhantes
  • Interprete a metáfora pelo contexto imediato, não pelo sentido isolado das palavras.
  • Se o texto opõe dois termos, como "ver" e "pensar", use essa oposição para testar as alternativas.
  • Dê peso máximo ao trecho que explica a imagem, aqui o verbo "desaprender", porque ele revela a existência de condicionamentos prévios.

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