O debate sobre as mudanças climáticas explicita um caso
extremo de politização da ciência. Interesses corporativos,
agremiações políticas conservadoras e intelectuais com pouca ou
nenhuma credencial no campo de pesquisas da climatologia
articularam-se material e discursivamente nos países
anglo-saxões para evitar que as conclusões apresentadas pelo
relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (IPCC) se traduzissem em medidas
regulatórias ou políticas públicas voltadas para a mitigação da
interferência humana na química atmosférica. Dado que o
acúmulo de evidências sobre o caráter antropogênico das
mudanças climáticas consolidou sua posição marginal no campo
científico, os representantes do “ceticismo” abandonaram a
competição por um paradigma alternativo segundo os padrões
acadêmicos. Em vez disso, concentraram-se no fortalecimento de
uma “máquina negacionista” que, embora tentando preservar a
aparência de um debate científico ainda em curso, deturpou
sistematicamente as evidências científicas que poderiam
fundamentar o debate público sobre as mudanças climáticas.
Luiz E. V. de Souza, Estevão Bosco e Marcelo Fetz.
Internet: (com adaptações).
Considerando os múltiplos aspectos relacionados ao texto precedente, julgue o item.
No último período do texto, a oração “que poderiam
fundamentar o debate político sobre as mudanças climáticas”
explica o sentido da expressão “evidências científicas”.
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