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O clima do “politicamente correto” em que nos mergulharam impede o raciocínio. Este novo senso comum diz que todos os preconceitos são errados. Ao que um amigo observou: “Então vocês têm preconceito contra os preconceitos”. Ele demonstrava que é impossível não ter preconceitos, que vivemos com eles, e que grande quantidade deles nos é útil. Mas, afinal, quais preconceitos são pré-julgamentos danosos? São aqueles que carregam um juízo de valor depreciativo e hostil. Lembre-se do seu tempo de colégio. Quem era alvo dos bullies? Os diferentes. As crianças parecem repetir a história da humanidade: nascem trogloditas, violentas, cruéis com quem não é da tribo, e vão se civilizando aos poucos. Alguns, nem tanto. Serão os que vão conservar esses rótulos pétreos, imutáveis, muitas vezes carregados de ódio contra os “diferentes”, e difíceis (se não impossíveis) de mudar.
(Francisco Daudt. Folha de S.Paulo, 07.02.2012. Adaptado.)
O artigo citado aborda a relação entre as tendências culturais
politicamente corretas e os preconceitos. Com base no texto,
pode-se afirmar que a superação dos preconceitos que induzem
comportamentos agressivos depende
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Alternativa correta: A
Tema central: a questão trata da natureza dos preconceitos e da forma de superação daqueles que geram hostilidade. É preciso distinguir pré-julgamentos funcionais (heurísticas sociais) de preconceitos depreciativos e violentos.
Resumo teórico (claro e progressivo): na psicologia social, preconceito é uma atitude prévia sobre grupos; Gordon Allport (The Nature of Prejudice, 1954) diferencia estereótipos/heurísticas úteis de atitudes hostis. O texto afirma que nem todo pré-julgamento é deletério; o problema são os preconceitos que incluem um juízo de valor depreciativo e hostil. A superação, segundo o argumento, exige capacidade racional para identificar e corrigir esses preconceitos.
Justificativa da alternativa A: A alternativa A afirma que a superação depende da capacidade racional de discriminar entre pré-julgamentos úteis e preconceitos hostis — exatamente o cerne do texto. O autor defende que é impossível eliminar todos os pré-julgamentos, mas é possível reconhecer e combater aqueles que carregam ódio e desvalorização. Logo, A sintetiza corretamente a posição argumentativa.
Por que as outras alternativas estão incorretas:
B. Afirma que seria necessária uma assimilação integral dos critérios “politicamente corretos”. O texto critica o clima do politicamente correto como impeditivo do raciocínio, não o apresenta como solução total. Assim, B contraria a crítica do autor.
C. Fala em construir valores coletivos para diferenciar amigos e inimigos. Isso reduz a questão a uma lógica de grupos (in/out) e supõe militarização das relações, não abordando a crítica à hostilidade e ao juízo depreciativo.
D. Propõe solução legislativa (criminalizar expressão oral). Embora haja instrumentos legais de proteção (ex.: CF/88 art. 5º com limites; leis antidiscriminação), o texto enfatiza mudança racional e cultural, não punição jurídica exclusiva. D é uma solução parcial e não explícita no texto.
E. Aponta fortalecimento religioso/espiritual. Isso é uma proposta normativa valorativa e não corresponde ao argumento central, que foca no uso da razão para distinguir preconceitos úteis dos hostis.
Estrategias para prova: identifique o termo-chave do enunciado (a superação dos preconceitos) e relacione-o à tese do texto (razão crítica vs. politicamente correto). Desconfie de alternativas absolutistas (assimilar integralmente, criminalizar totalmente, solução única religiosa) e prefira a que traduza a ideia de discriminação racional entre tipos de pré-julgamentos.
Referências indicativas: Gordon Allport, The Nature of Prejudice (1954); Constituição Federal de 1988, art. 5º (princípios de igualdade e limites à liberdade).
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Comentários
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A superação dos preconceitos que induzem comportamentos agressivos depende:
C) da capacidade racional de discriminar entre pré-julgamentos socialmente úteis e preconceitos disseminadores de hostilidade.
É através da racionalidade que devemos questionar julgamentos do que é diferente e principalmente, quem se beneficia por isso. Não devemos simplesmente perpetuar comportamentos dissonantes, sem a necessária reflexão de sua verdadeira natureza. Preconceitos ou pré-julgamentos podem tanto construir relações, quando deteriorar todo um sistema social, através da falta de compreensão com comportamentos, tidos por um determinado grupo, como aceitáveis ou normais.
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