Bossa nova é ser presidentedesta terra descoberta por Cabral...

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Ano: 2012 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2012 - UNESP - Vestibular - Segundo Semestre |
Q535109 História
Bossa nova é ser presidente desta terra descoberta por Cabral. Para tanto basta ser tão simplesmente: simpático, risonho, original. Depois desfrutar da maravilha de ser o presidente do Brasil, voar da Velhacap pra Brasília, ver Alvorada e voar de volta ao Rio. Voar, voar, voar. [...] (Juca Chaves apud Isabel Lustosa. Histórias de presidentes, 2008.) A canção Presidente bossa-nova, escrita no final dos anos 1950, brinca com a figura do presidente Juscelino Kubitschek. Ela pode ser interpretada como a
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Resposta: Alternativa A

Tema central: interpretação de fonte cultural sobre o governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961) e o simbolismo da modernização — especialmente a construção de Brasília e a ideia de “novos valores” na cultura brasileira.

Resumo teórico: o governo JK é associado ao projeto desenvolvimentista resumido em “Cinquenta anos em cinco” e ao Plano de Metas, cujo símbolo material mais forte foi a edificação de Brasília (1956–1960). Culturalmente, a década de 1950 viu manifestações de uma visão optimista de modernidade (bossa nova, arquitetura modernista). Fontes úteis: Isabel Lustosa, Histórias de presidentes (2008); Ruy Castro, Chega de Saudade (sobre bossa nova); Thomas Skidmore, Brazil: Five Centuries of Change.

Por que A é correta: A letra brinca com a figura do presidente como símbolo de um Brasil “moderno” — a construção de Brasília e o gesto de “voar da Velhacap pra Brasília” remetem precisamente ao ícone do projeto modernizador de JK. O tom lúdico/irônico não anula o caráter celebratório da modernidade representada.

Análise das incorretas:

B (errada) — reduz o sentido à celebração dos meios de transporte. A canção usa o voo como símbolo da ligação entre o Rio e a nova capital; não é um enaltecimento técnico do transporte nem afirma que JK foi “o primeiro” a voar internamente.

C (errada) — não é rejeição à transferência da capital. Ao contrário, a letra evoca Brasília e o Palácio da Alvorada como marcos desejáveis; o Rio não é defendido como centro financeiro aqui.

D (errada) — não se trata de uma crítica violenta ao populismo. O texto tem tom satírico/irônico, mas aponta para a imagem de modernidade e simpatia associada a JK, não para uma denúncia ampla do populismo republicano.

E (errada) — a letra não recusa a atuação política de JK nem afirma que ele entregava decisões ao povo; ela joga com sua imagem pessoal e o projeto de modernização, não com um discurso sobre participação direta.

Dica de interpretação: observe o tom (ironia vs. crítica direta), identifique símbolos históricos (Brasília, Alvorada, voo) e relacione-os ao contexto político-cultural (Plano de Metas, bossa nova). Evite leituras literais de imagens poéticas.

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