Estava tão cansado, tão machucado, que ia quase
adormecendo no meio daquela desgraça. Havia ali um bêbedo
tresvariando em voz alta [...] Discutiam, queixava-se da lenha
molhada. Fabiano cochilava, a cabeça pesada inclinava-se
para o peito e levantava-se. [...] Acordou sobressaltado. Pois
não estava misturando as pessoas, desatinando? Talvez fosse
efeito da cachaça. Não era: tinha bebido um copo. [...]
Ouviu o falatório do bêbedo e caiu numa indecisão
dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava
à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na
parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não
sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então
mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar
direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando
como um escravo.
[...]
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. (Adaptado) 127 ed. Rio de Janeiro:
Record, 2015.
A leitura do segundo parágrafo permite depreender a imagem
que Fabiano tem de si mesmo e a sua reação ao domínio a
que se submete, por meio do discurso indireto livre. Esse
discurso é efetivado pela
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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