“Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça, juntame...
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Ano: 2025
Banca:
FUNDEPES
Órgão:
Qualin
Prova:
FUNDEPES - 2025 - Qualin - Vestibular - Medicina - Segundo Semestre - 1º Dia |
Q3747856
Literatura
“Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça,
juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato
contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os
amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e
equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram
um só instante.
— A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.
— Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto lavado em lágrimas.
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade”.
ASSIS, Machado de. O alienista. In: ASSIS, Machado de. Papéis Avulsos. Belo Horizonte: Itatiaia,1882.
O trecho supracitado pertence ao conto “O alienista”, de Machado de Assis, publicado no livro Papéis avulsos (1882), acerca do qual é correto afirmar que
— A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.
— Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto lavado em lágrimas.
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade”.
ASSIS, Machado de. O alienista. In: ASSIS, Machado de. Papéis Avulsos. Belo Horizonte: Itatiaia,1882.
O trecho supracitado pertence ao conto “O alienista”, de Machado de Assis, publicado no livro Papéis avulsos (1882), acerca do qual é correto afirmar que