“Há em Berlim uma casa que nunca fecha.” (1° parágrafo) N...

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Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2016 - FAMERP - Conhecimentos Gerais |
Q1335798 Português
Leia o texto de Tales Ab´Sáber para responder à questão.

    Há em Berlim uma casa que nunca fecha. Aquela noite que não termina jamais pode de fato começar a qualquer momento do dia, às sete da manhã ou ainda às dez. Lá todos os tempos se estendem e noite e dia se transformam em outra coisa. Naquela imensa boate que pretende expandir o seu plano de existência, seu tempo infinito, sobre a vida e a cidade, construída em uma antiga fábrica − uma antiga usina de energia nazista −, todo tipo de figura da noite se encontra, em uma festa fantástica alucinada que deseja não terminar jamais.
     À luz da vida tecno¹ avançada, as ideias tradicionais de dia e de noite se revelam mais frágeis, bem mais insólitas do que a vida cotidiana sob o regime da produção nos leva a crer. Para alguns, o mundo do dia se tornará definitivamente vazio e apenas a noite excitada e veloz vai concentrar em si o valor do que é vivo.
    Naquela boate, como em muitas outras, tudo se encerra apenas quando o efeito prolongado e sistemático da droga se encerra. Como uma pausa para respirar, às vezes tendo passado muitos dias entre uma jornada de diversão e sua suspensão momentânea. Para muitos, apenas pelo tempo mínimo da reposição das forças até a próxima jornada, extenuante, sem fim, pela política imaginária da noite.
      E, ainda mais. Para outros tantos, o próprio efeito da droga sob a pulsação infinita da música eletrônica, experiência programática e enfeitiçada, não deveria se encerrar jamais: estes estariam destinados ao projeto de dissolução na pulsação sem eu da música tecno, seja a dissolução do espírito, em uma infantilização sem fim para os embates materiais da vida, seja a dissolução do corpo, ambos igualmente reais. De fato, após uma noite de vida tecno, é forte a experiência radical de vazio que se torna o espírito do dia. A energia foi imensamente gasta à noite. Foi devastada, tornando o dia vazio de objeto, porém vivo. Vivo no vazio, muito bem articulado à busca pelo excedente absoluto de mais tarde, à noite.

(A música do tempo infinito, 2012. Adaptado.)

¹tecno: estilo de música eletrônica.
“Há em Berlim uma casa que nunca fecha.” (1° parágrafo)
No período em que está inserida, a oração destacada tem valor e função, respectivamente, de
Alternativas

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Comentário – Questão de Morfologia / Análise Sintática

Tema central: O assunto da questão é orações subordinadas adjetivas e suas funções sintáticas. Exige do candidato saber identificar qual o valor (classe gramatical) e a função (papel na frase) de uma oração dentro do período.

Explicação didática: Em “uma casa que nunca fecha, a oração destacada é iniciada pelo pronome relativo que e faz referência direta ao substantivo casa, acrescentando-lhe uma característica. Segundo a norma-padrão (ver Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”), toda oração subordinada adjetiva tem valor de adjetivo e, funcionando como termo acessório junto ao substantivo, exerce a função de adjunto adnominal.

O que você precisa guardar: A oração adjetiva é aquela que qualifica ou restringe o sentido de um substantivo, ligando-se a ele por um pronome relativo. Exemplo: “O aluno que estuda passa no concurso.” — “que estuda” qualifica “aluno”.

Justificativa da alternativa correta (C):
Adjetivo e adjunto adnominal. É correta, pois a oração “que nunca fecha” faz exatamente o papel de um adjetivo (qualificando “casa”) e atua como adjunto adnominal, termo que caracteriza o substantivo.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Advérbio e adjunto adverbial: Incorreto, pois não expressa circunstância (tempo, modo, lugar…), mas sim característica de um substantivo.
  • B) Substantivo e sujeito: A oração não tem valor de substantivo nem exerce função de sujeito.
  • D) Substantivo e objeto direto: Idem ao anterior; a função é descritiva, não substantiva ou de complemento.
  • E) Adjetivo e predicativo: Embora seja adjetivo, não é predicativo (predicativo atribui uma qualidade ao sujeito ou objeto, normalmente com verbo de ligação).

Dica de prova: Sempre que encontrar oração introduzida por “que” ou “o qual” complementando um substantivo, pense em oração subordinada adjetiva – e lembre-se: valor de adjetivo, função de adjunto adnominal.

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Adjetiva Restritiva

Sem pontuação, Funciona como ADJUNTO ADNOMINAL

Especifica, refere-se a uma parte de um grupo.

EX: Você é a pessoa que mais gostei na vida.

para quem marcou letra B, quem faz a função de sujeito é apenas o pronome relativo QUE

QUE -> pronome relativo = função de sujeito

“ […] que nunca fecha” -> substituindo = “ A CASA nunca fecha”

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