Leia o trecho a seguir, retirado do romance Macunaíma, de
Mário de Andrade, para responder à questão.
Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha
de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no
rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de
quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais.
Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio
uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum
pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a
água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando
o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói
saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água
lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de
indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca
do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da
negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco
atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do
bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém
pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
(Macunaíma, 2013.)
O episódio narrado neste trecho exemplifica uma característica marcante da personagem Macunaíma: