Ao olhar a disposição arquitetônica das vilas e cidades mine...

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Ano: 2009 Banca: CCV-UFC Órgão: UFC Prova: CCV-UFC - 2009 - UFC - Casas de Cultura Estrangeira - Primeiro Semestre |
Q1392642 Conhecimentos Gerais
Ao olhar a disposição arquitetônica das vilas e cidades mineiras, durante a expansão mineradora, observa-se que, no centro da praça, localizava-se o prédio da Câmara e a cadeia; ao seu lado, havia a igreja e, entre os dois, ficava o pelourinho. Analisando essa disposição, podemos concluir corretamente que essa disposição arquitetônica:
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa A

Tema central: a leitura crítica do espaço urbano colonial e o significado político-social dos elementos arquitetônicos (câmara, cadeia, igreja e pelourinho). É preciso saber a função desses edifícios para interpretar o simbolismo do centro das vilas mineradoras.

Resumo teórico: Nas vilas setecentistas de Minas Gerais, a organização da praça central expressava a ordem política e social: a câmara representava o poder municipal e os interesses dos lavradores e elites locais; a cadeia simbolizava o monopólio da punição; a igreja traduzia a autoridade religiosa; o pelourinho era instrumento público de punição e espetáculo de vigilância social. Juntos, esses elementos reproduziam a estrutura de poder vigente, concentrando autoridade civil e religiosa no mesmo eixo simbólico (ver: Boris Fausto, História do Brasil; Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo — leituras indicadas para contexto histórico).

Por que A está correta: A disposição física da praça não é casual: organiza e mostra quem detém o poder. Colocar Câmara e cadeia no centro, com a igreja ao lado e o pelourinho entre ambos, era uma forma simbólica e prática de afirmar a autoridade municipal e a ordem social — ou seja, reproduzia simbolicamente a estrutura de poder vigente.

Análise das alternativas incorretas:

B — Incorreta: a disposição urbanística não teve função direta para impedir desvios de ouro. O controle minerador era exercido por mecanismos fiscais e administrativos (ex.: Casa de Fundição, pagamento do quinto), não pela simples localização de prédios na praça.

C — Incorreta: a igreja estava em posição de destaque, mas a proximidade com a Câmara e a cadeia mostra coexistência e articulação entre poder civil e religioso, não a supremacia absoluta da Igreja sobre o Estado.

D — Incorreta: a organização não garantia democracia. Ao contrário, evidenciava poder concentrado nas elites locais e mecanismos punitivos públicos — distante dos modelos democráticos europeus representativos.

E — Incorreta: o pelourinho e a cadeia serviam à justiça municipal e ao castigo público (incluindo punição de escravos), mas não eram exclusivos para uso da Inquisição; esta atuava de forma distinta e menos direta em Minas.

Estratégia para resolver questões semelhantes: identifique funções históricas dos elementos citados (o que era a câmara? o pelourinho?), procure o sentido simbólico da disposição espacial e desconfie de alternativas que atribuam finalidades anacrônicas ou muito específicas sem relação direta com o enunciado.

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