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Ano: 2017 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2017 - UFU-MG - Vestibular - 1º Dia |
Q924465 História
O texto seguinte, de Hannah Arendt, é uma interpretação da autora acerca da ascensão dos regimes totalitários no século XX.
Os movimentos totalitários são possíveis onde quer que existam massas que, por um motivo ou outro, desenvolveram certo gosto pela organização política. As massas não se unem pela consciência de um interesse comum e falta-lhes aquela específica articulação de classes que se expressa em objetivos determinados, limitados e atingíveis. O termo massa só se aplica quando lidamos com pessoas que, simplesmente devido ao seu número, ou a sua indiferença, ou a uma mistura de ambos, não se podem integrar numa organização profissional ou sindicato de trabalhadores. Potencialmente, as massas existem em qualquer país e constituem a maioria das pessoas neutras e politicamente indiferentes, que nunca se filiam a um partido e raramente exercem o poder de voto.
ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. Vol. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 361.
Sobre o assunto, é possível afirmar que
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa B

Tema central: A questão aborda a ascensão dos regimes totalitários e a interpretação de Hannah Arendt sobre as «massas» — elemento chave para compreender como fascismo e nazismo se apoiaram em apoio popular e em formas específicas de organização política.

Resumo teórico: Arendt (Origens do Totalitarismo) define massas como grupos numerosos e politicamente indiferentes que não se organizam por laços de classe ou sindicatos. Regimes totalitários exploram essa condição para impor ideologias de massa. O fascismo, embora anticomunista, não negava a existência de classes; procurava anulá‑las politicamente por meio de hierarquias, corporativismo e culto à nação/liderança.

Por que a alternativa B está correta: O enunciado da B afirma que os regimes fascistas reconheciam a existência de classe, mas optavam por uma ordenação hierárquica que definia papéis sociais. Isso corresponde ao projeto fascista de suprimir o conflito de classes incorporando trabalhadores e patrões numa estrutura estatal hierarquizada (ex.: Estado corporativo italiano de Mussolini), buscando unidade nacional acima da luta de classes. A formulação concorda com a análise histórica e com as categorias usadas por Arendt e outros estudiosos do fascismo.

Análise das alternativas incorretas:

  • A — Falsa: o socialismo soviético teve forte base nas organizações operárias (sovietes, sindicatos controlados pelo partido) e não rejeitou a participação dos trabalhadores; antes, cooptou e instrumentalizou essas organizações.
  • C — Falsa: o fascismo italiano precedeu o nazismo consolidado (Mussolini em 1922; Hitler chega ao poder em 1933). Não é correto afirmar que o fascismo italiano derivou do projeto totalitarista alemão.
  • D — Falsa: o Partido Nazista contou com significativo apoio popular e ascendeu por uma combinação de sucesso eleitoral, manobras políticas e nomeação legal de Hitler como chanceler; a tomada foi consolidada por medidas legais e repressivas (Incêndio do Reichstag, Lei de Plenos Poderes), não por um golpe militar simples.

Dica de prova: Procure termos precisos — «massas», «golpe», «apoio popular», «sequência cronológica» — e confronte com eventos históricos conhecidos (datas, medidas políticas). Alternativas que misturam cronologia ou simplificam processos complexos costumam estar erradas.

Fonte principal: Hannah Arendt, Origens do Totalitarismo. Para contexto comparativo: estudos sobre fascismo e corporativismo (ex.: Emilio Gentile; Juan Linz).

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