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Ano: 2017 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2017 - UFU-MG - Vestibular - 1º Dia |
Q924463 História
Observe o trecho abaixo:
O plano geral da cidade, de relevo acidentado e repontado de áreas pantanosas, constituía obstáculo permanente à edificação de prédios e residências que, desde pelo menos 1882, não acompanhavam a demanda sempre crescente dos habitantes. A insalubridade da capital, foco endêmico de varíola, tuberculose, febre tifóide, lepra, escarlatina e sobretudo da terrível febre amarela, já era tristemente lendária nos tempos áureos do II Reinado, sendo o Rio de Janeiro cantado por um poeta alemão como "a terra da morte diária/Túmulo insaciável do estrangeiro.
SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 52.
No excerto, é relatado o triste cenário do Rio de Janeiro nos anos iniciais da Primeira República, agravado pela crise sanitária que assolou a cidade e também por outros aspectos da vida social, entre eles, a economia. Com base nesse contexto, é correto dizer que a crise econômica derivou da
Alternativas

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Alternativa correta: B

Tema central: interpretação de como a crise econômica da Primeira República (final do século XIX — início do XX) se relacionou com políticas econômicas e o contexto urbano do Rio de Janeiro. É preciso conectar o diagnóstico sanitário/urbano ao tipo de política econômica que intensificou a crise.

Resumo teórico curto: nos primeiros anos da República houve instabilidade monetária e financeira: expansão de papel‑moeda, fragilidade do sistema bancário e um ambiente jurídico que favoreceu a formação de sociedades anônimas e especulação urbana. Isso desviou capitais, aumentou flutuações de preços e agravou crises locais, principalmente em centros como o Rio.

Justificativa da alternativa B: a alternativa B aponta para a política monetária expansionista e a facilidade para criação de sociedades anônimas. Esse cenário é compatível com o período: o aumento de moeda em circulação e a proliferação de empresas por ações fomentaram especulação imobiliária e financeira no Rio, reduzindo confiança e gerando instabilidade econômica que se somou à crise sanitária. Fontes úteis: Nicolau Sevcenko, Literatura como missão (trecho usado); para enquadramento econômico, consultar Boris Fausto, História do Brasil (cap. República Velha).

Análise das alternativas incorretas

A — incorreta: não houve política deliberada de Estado focada na formação de indústria de base que desprezasse bens de consumo. A República Velha foi marcada por liberalismo e baixa intervenção pró‑industrial em larga escala; a industrialização brasileira era incipiente e sem essa priorização estatal.

C — incorreta: não houve uma queda drástica e imediata da produção cafeeira que explique a crise urbana citada. O café continuou sendo o principal produto de exportação; crises cafeeiras ocorreram em momentos distintos, mas o texto enfatiza problemas urbanos e financeiros, não uma derrocada da produção agrícola.

D — incorreta: a política federal não foi abertamente protecionista com o objetivo de investir pesado no capital nacional incapaz de industrializar. Ao contrário, predominou certo liberalismo econômico; o problema era a fragilidade do capital e a especulação, não tanto um protecionismo mal aplicado.

Dica de interpretação: procure no enunciado pistas temporais e de causa (sanitária, urbana, financeira). Relacione termos como “aumento de moeda” e “sociedades anônimas” a consequências práticas (especulação, desvio de capitais, instabilidade) — essa cadeia lógica indica a alternativa correta.

Fontes sugeridas: Nicolau Sevcenko, Literatura como missão; Boris Fausto, História do Brasil — capítulos sobre República Velha e economia.

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Dificílima.

Encilhamento gerando a crise --> concessão de empréstimos desmedidos a pessoas que não se poderia ter garantia de retorno, etc.

Gabarito: b)

A expansão monetária, que já se iniciara no Império com os auxílios à lavoura, além de alívio creditício para a cafeicultura, possibilitando a incorporação de novos cafezais nas regiões mais dinâmicas, também propiciou a expansão de outros setores econômicos. Neste sentido também foi facilitada a criação de outras empresas, especialmente de Sociedades Anônimas. Porém ainda se fazia necessária a subscrição completa de todo o capital para a constituição das Sociedades Anônimas e era vedada a venda de ações. No início de 1890, Rui Barbosa, modifica esta clausula, bastando agora a integralização de 10% do capital da empresa para que esta viesse a ter sua legalidade reconhecida. Este mecanismo facilitou a abertura de novas Sociedades Anônimas.

Foi justamente a conjugação destes dois elementos (facilidade creditícia e facilidade na criação para a constituição de Sociedade Anônimas) que explica o chamado “Encilhamento”. O Encilhamento foi um movimento de especulação bursátil, ocorrido na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro no início da República. Seu início, na verdade, pode ser localizado no final do Império, pois as ações dos bancos que tiveram acesso à intermediação dos chamados créditos à lavoura cresceram bastante e novas instituições bancárias na forma de Sociedades Anônimas foram criadas.

Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3691221/mod_resource/content/2/poleconrepVelha_Amaury.pdf

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