Refiro-me à destruição que pudemos fazer da grande (20 x 40 ...

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Ano: 2017 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2017 - UFU-MG - Vestibular - 1º Dia |
Q924460 História
Refiro-me à destruição que pudemos fazer da grande (20 x 40 metros) e velha maloca taracuá [...] Sabe V. Rvma. que para o índio a maloca é cozinha, dormitório, refeitório, tenda de trabalho, lugar de reunião na estação de chuvas e sala de dança nas grandes solenidades. [...] A maloca é também, como costumava dizer o zeloso dom Bazola, a “casa do diabo”, pois que ali se fazem as orgias infernais, maquinam-se as mais atrozes vinganças contra os brancos e contra outros índios...
Monsenhor Pedro Massa, início século XX. In: ZENUN, K. H. e ADISSI, V. M. A. Ser índio hoje: a tensão territorial. 2.ed. São Paulo: Loyola, 1999, p. 70. (Adaptado).
Com a chegada dos europeus ao continente americano, teve início a subjetivação da figura do índio, delineando-se, gradativamente, a imagem do nativo ocioso, preguiçoso, indisciplinado e desorganizado. Esse ponto de vista atravessou séculos e sobrevive em nossos dias. Dessa maneira, de acordo com a citação, derrubar a maloca seria uma ação necessária, pois a moradia indígena representava o(a)
Alternativas

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Alternativa correta: A

Tema central: trata-se da representação colonial do índio e da justificativa missionária/colonial para eliminar elementos da cultura indígena (a maloca) por serem vistos como paganos e “diabólicos”, o que justificava a conversão e o controle espiritual.

Resumo teórico: desde o início da colonização europeia desenvolveu‑se uma imagem do indígena como desorganizado, preguiçoso e pagão, que legitimava intervenções civis e religiosas. Missionários e cronistas classificavam rituais e espaços coletivos (como a maloca) como práticas “diabólicas”, reforçando a necessidade de destruição ou transformação desses espaços para efetivar a catequese e o domínio cultural. Fontes e autores sobre a construção do "índio" incluem debates em antropologia e história (ex.: estudos de Darcy Ribeiro; discussões em antropologia sobre etnocentrismo colonial).

Justificativa da alternativa A: o trecho chama a maloca de “casa do diabo” e descreve “orgias infernais” e “vinganças”, linguagem típica de uma visão que vê a moradia indígena como tradição pagã contrária à conversão cristã. Assim, derrubar a maloca é apresentado como ação necessária para destruir o elemento religioso/cultural incompatível com os planos de conversão e domínio espiritual — exatamente o que afirma a alternativa A.

Análise das alternativas incorretas:

B — incorreta: apresenta a maloca como “baluarte” influenciado por contato com a cultura africana. A maloca é estrutura indígena tradicional; a alternativa confunde origens e mistura processos distintos (indígena vs. afro‑brasileiro).

C — incorreta: diz que era símbolo de superioridade indígena. Pelo contrário, o discurso colonial retratava a maloca como sinal de inferioridade e “atraso”, justificando intervenção.

D — incorreta: embora missionários quisessem controlar e reorganizar povos em reduções, a frase do enunciado enfatiza a maloca como prática pagã a ser extirpada por motivos religiosos, não especificamente como “obstáculo das reduções”. D é uma interpretação muito estreita e deslocada do sentido do texto.

Dica de resolução: atente ao vocabulário acusatório (“diabo”, “orgias”, “vinganças”): palavras carregadas ideologicamente indicam a intenção do autor e a justificativa da ação pedida — um bom caminho para identificar a alternativa correta.

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Comentários

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A. tradição da cultura pagã que contrariava os planos de conversão e domínio espiritual.


Em princípio os europeus pretendiam escravizar os índios para ser a mão de obra nos engenhos,como não deu certo decidiram catequizá-los

A maloca era a representação material síntese da cultura indígiena, espaço privilegiado do cotidiano de manifestações culturais, sociais e religiosas dos indígenas. Destrui-las significou um passo importante para o projeto de evangelização e de dominação europeia, que teve como um de seus aspectos fundamentais a sobreposição da cultura ibérica sobre a nativa, desvalorizando-a e, preferencialmente, eliminando-a.

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