Quando você for se embora, moça branca como a neve, me lev...
Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração.
Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento. GULLAR, Ferreira. Cantiga para não morrer. Disponível em: <http://www.revistabula.com/12068-os-10-melhores-poemas-de-ferreira-gullar/>. . Acesso em: abr. 2018.
A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos.
Esse recurso estilístico utilizado pelo eu lírico está presente no verso transcrito em
Gabarito comentado
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Tema central: Figuras de Linguagem – Metáfora
A questão avalia a sua capacidade de reconhecer metáfora, uma figura de linguagem essencial em provas de interpretação e análise de textos.
Definição normativa: Pela norma-padrão, conforme Bechara e Cunha & Cintra, a metáfora acontece quando há uma transferência de sentido entre termos, com base em uma analogia não explícita, sem conectivos como “como”, “tal qual” ou “semelhante a”. A comparação, ao contrário, sempre traz um termo comparativo explícito.
Análise da alternativa correta (B):
“menina branca de neve” traz uma associação implícita: a menina não é feita de neve, mas a ideia da brancura extrema se transfere de “neve” para “menina”, sem uso de conectivo. Isso é clássico exemplo de metáfora. Assim, a alternativa B está correta.
Por que as demais estão erradas?
- A) “moça branca como a neve”: Traz comparação explícita pelo uso do conectivo “como”. Não é metáfora.
- C) “E aí também não possa”: Trecho literal, sem figura de linguagem relevante.
- D) “me leve no seu lembrar”: Construção poética, mas não há analogia entre termos diferentes; é apenas uma expressão simbólica da lembrança.
- E) “me leve no esquecimento”: Da mesma forma, uma expressão poética, não caracterizando metáfora, pois o “esquecimento” não substitui outro termo.
Estratégia para acertar esse tipo de questão:
Procure sempre identificar se há transferência de sentido entre elementos, sem conectivo comparativo. Frases que trazem “como”, “tal qual”, “feito”, etc., são comparação, não metáfora. Atenção a pegadinhas em versos poéticos: nem toda expressão inusitada é metáfora!
Manual de Redação oficial orienta: figuras como metáfora enriquecem a linguagem literária, mas devem ser corretamente reconhecidas quando cobradas em provas, respeitando definições clássicas das gramáticas tradicionais.
Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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