A respeito da escravidão de indígenas e africanos na América...
A respeito da escravidão de indígenas e africanos na América, julgue o item a seguir.
Os indígenas que habitavam os aldeamentos eram oriundos
de etnias às quais havia sido declarado o mecanismo da
guerra justa.
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Resposta correta: E — Errado
Tema central: a questão problematiza a relação entre a ideia de “guerra justa” e a ocupação indígena nos aldeamentos na América colonial. É importante distinguir por que mecanismos jurídicos, religiosos e práticos conduziam à servidão ou à congregação indígena.
Resumo teórico e explicação progressiva:
- Guerra justa foi um argumento doutrinário (influenciado pela Escolástica e usado por colonizadores) que serviu para justificar, em certos casos, a guerra contra povos indígenas e a sua possível escravização quando se alegava resistência ou atos considerados hostis. Bartolomé de las Casas criticou esse recurso em suas obras.
- Aldeamentos (ou reduções) eram áreas de congregação promovidas por ordens missionárias (ex.: jesuítas) ou pelo poder colonial com objetivos variados: catequese, controle demográfico, proteção contra bandeirantes e escravizadores, e também provisão de mão de obra. Em muitos casos os indígenas foram deslocados ou atraídos para aldeamentos por coerção, proteção ou estratégias missionárias — não porque provinham necessariamente de etnias declaradas em “guerra justa”.
Por que a alternativa “Errado” é correta:
A afirmação é falsa porque nem todos os indígenas que viviam em aldeamentos eram originários de povos sobre os quais havia sido formalmente invocada a “guerra justa”. Os aldeamentos agregavam populações diversas por motivos religiosos, sanitários, administrativos e de proteção; alguns moradores eram convertidos pacificamente, outros eram retirados de seu território para proteção contra escravizadores (p.ex. bandeirantes) ou coagidos por políticas coloniais. Assim, o vínculo entre aldeamento e declaração de guerra justa não é geral nem explicativo da situação concreta.
Fontes indicadas: Bartolomé de las Casas, História das Índias (crítica à guerra justa); John Hemming, Red Gold (sobre indígenas no Brasil); Stuart B. Schwartz, Sugar Plantations in the Formation of Brazilian Society (contexto colonial). Para o contexto brasileiro, consulte também estudos sobre os jesuítas e os aldeamentos e as reformas pombalinas (expulsão dos jesuítas, 1759).
Dica de prova: identifique termos absolutos (“eram oriundos”) — geralmente sinal de afirmação excessiva. Separe causa jurídica (guerra justa) de prática social (aldeamento, proteção, catequese).
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A legislação colonial produziu muitos dispositivos que justificavam a prática da guerra justa, mesmo quando pretendiam proteger os índios de abusos e cativeiros ilícitos. A lei de 20 de março de 1570 do rei d. Sebastião ou a lei de 10 de setembro de 1611 proclamavam, em comum, a liberdade dos índios, permitindo, no entanto, o seu cativeiro em caso de guerra justa, determinada pelo governador-geral, ou ainda o seu resgate em determinadas situações. A guerra justa mostrou-se, pois, como justificativa para escravização dos indígenas, valendo-se dos argumentos da salvação das almas e da condenação da antropofagia que, embora não fossem juridicamente reconhecidos, serviam de reforço à sua ideia principal.
A "guerra justa" foi um conceito jurídico e ideológico utilizado pelos colonizadores europeus, particularmente no contexto da colonização da América, para justificar a escravização de populações indígenas. Na prática, era um mecanismo formalmente autorizado pela Coroa Portuguesa e pela Igreja Católica para legitimar a captura e exploração de indígenas considerados "inimigos" ou "rebeldes" à colonização e à cristianização.
Nem todos os indígenas que habitavam os aldeamentos eram oriundos de etnias que foram alvos de "guerra justa". Muitas vezes, os indígenas nos aldeamentos eram aqueles que aceitaram a evangelização ou foram persuadidos a viver sob a tutela dos missionários, e não necessariamente aqueles capturados em conflitos ou declarados como inimigos pelos colonizadores.
- os aldeamentos reuniam indígenas de várias origens
- muitos não eram prisioneiros de guerra
- vários entravam por ação missionária ou alianças
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