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Ano: 2021 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: UNB Prova: CESPE / CEBRASPE - 2021 - UNB - Vestibular - Libras |
Q1985064 História

A respeito da escravidão de indígenas e africanos na América, julgue o item a seguir.


As estruturas políticas e sociais africanas influenciaram o tráfico negreiro transatlântico enquanto este perdurou na América. 

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Alternativa correta: C — Certo

Tema central e relevância: a questão trata da participação das estruturas políticas e sociais africanas no tráfico negreiro transatlântico. Esse é um ponto-chave para concursos de História do Brasil porque evita uma visão simplista que atribui todo o processo apenas aos europeus; compreender as dinâmicas internas africanas ajuda a explicar como o tráfico se organizou e persistiu.

Resumo teórico progressivo: antes do contato atlântico havia na África variados regimes políticos — reinos centralizados (Asante, Oyo, Dahomey), chefias locais e redes de pequenos chefes — e sistemas sociais que incluíam formas de escravidão interna. Com a demanda europeia, alguns desses atores converteram a captura e venda de prisioneiros em fonte de riqueza e poder. Mercadores e chefes africanos atuaram como intermediários, organizando expedições, mantendo rotas comerciais e negociando com europeus em fortalezas costeiras; em troca recebiam armas, tecidos, bebidas e outros bens. A seleção de escravizados, as rotinas de captura e a logística refletiam práticas e hierarquias locais, que modelaram quantos e que tipos de cativos chegavam às Américas (ver Thornton 1992; Miller 1988; Eltis, Atlas).

Justificativa objetiva da resposta: afirmar que as estruturas políticas e sociais africanas influenciaram o tráfico é correto porque evidencia a co-responsabilidade e a articulação entre atores africanos e europeus. Estados africanos lucraram e transformaram-se (guerra aumentada, centralização em alguns casos), redes sociais internas foram reorganizadas e agentes locais decidiram quem seria capturado e vendido. Fontes clássicas: John Thornton, Africa and Africans in the Making of the Atlantic World (1992); Joseph C. Miller, Way of Death (1988); David Eltis, Atlas of the Transatlantic Slave Trade.

Dica de interpretação para provas: ao ver afirmações sobre processos históricos complexos, procure evidências de interação mútua (atores locais + externos). Evite respostas que apresentem apenas um agente como único causador.

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Comentários

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Questão correta!

Tema pouco explorado sob essa ótica. A verdade é que muitos escravizados africanos eram prisioneiros de guerra de nações africanas inimigas. Essa instabilidade política, a falta de uma nação centralizada e a alta demanda por mão de obra escravizada fez com que a África fosse um continente exportador de escravos. Lembrando que entre os próprios africanos não havia discriminação por cor de pele, mas poderia haver discriminação por etnias diferentes ou contra povos de nações inimigas.

Muitos autores apontam que existe um certo preconceito ao julgar os africanos por escravizarem seus “irmãos” de mesmo continente. Primeiro que a África é um continente gigantesco, e naquela época não havia uma ideia de unicidade e irmandade entre os diferentes povos que viviam lá, muitos eram (e ainda são) inimigos. E segundo que não é o primeiro povo que escravizou e vendeu seus “iguais”. Fonte: História em Meia Hora, professor Vítor Soares.

Durante o período do tráfico, diversas sociedades africanas já possuíam:

- Reinos e estados organizados

- Guerras entre grupos rivais

- Práticas internas de escravidão ou servidão

Alguns desses reinos e chefes locais participaram do comércio de pessoas escravizadas, capturando prisioneiros de guerra ou indivíduos de outros grupos e vendendo-os a traficantes europeus nos portos da costa africana.

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