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Ano: 2012 Banca: UECE-CEV Órgão: UECE Prova: UECE-CEV - 2012 - UECE - Vestibular - Geografia e História |
Q1279407 Conhecimentos Gerais
Leia atentamente o excerto abaixo.
“Negar-lhes aos [escravos negros] totalmente os seus folguedos, que são o único alívio do seu cativeiro é querê-los desconsolados e melancólicos, de pouca vida e saúde. Portanto, não lhes estranhem os senhores, o criarem seus reis, cantar e bailar por algumas horas...”
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Belo Horizonte/São Paulo:Itatiaia, Edusp, 1992.
Observe as seguintes afirmações a respeito do que sugere o excerto acima:
I. Antonil, jesuíta do período colonial, percebeu a importância, em termos de controle social e ideológico, de se deixar aflorar as manifestações culturais dos africanos.
II. As manifestações festivas e culturais dos negros escravos escandalizavam o jesuíta, que temia o sincretismo afro-católico.
É correto afirmar-se que
Alternativas

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Alternativa correta: B — I é verdadeira e II é falsa.

Tema central: leitura de fonte histórica sobre escravidão colonial e interpretação da atitude de um autor (André João Antonil) diante das manifestações culturais africanas no Brasil. É recorrente em provas cobrar identificação do tom do autor (tolerância pragmática vs. repúdio moral) e conceitos como controle social e sincretismo religioso.

Resumo teórico rápido: no período colonial muitos cronistas e missionários registraram festas e cultos africanos. Alguns condenavam por “idolatria”; outros adotavam postura pragmática: permitir manifestações culturais como válvula de escape que reduz tensões e facilita o controle da população escravizada. Esse pragmatismo aparece em textos como o de Antonil (Cultura e Opulência do Brasil).

Justificativa da resposta (por que I é verdadeira): o trecho de Antonil indica que privar os escravos de suas folguedos os deixaria “desconsolados” e fracos; portanto ele recomenda não estranhar que cantem e dancem por algumas horas. Esse posicionamento revela consciência da função social dessas festas como alívio e instrumento de manutenção da ordem — ou seja, reconhecer e tolerar manifestações culturais como forma de controle social. Fontes: André João Antonil, Cultura e Opulência do Brasil; sínteses históricas sobre escravidão (ex.: Boris Fausto).

Por que II é falsa: a afirmação II diz que Antonil escandalizava-se e temia o sincretismo afro‑católico. O excerto mostra o oposto: ele não recrimina as festas, aconselha a tolerância por motivos práticos. Não há no fragmento atitude moralista de repúdio nem ênfase em evitar sincretismo; há pragmatismo social.

Análise das demais alternativas: A (I falsa, II verdadeira) erra ao inverter a leitura do trecho; C (ambas verdadeiras) erra porque II não é sustentada pelo texto; D (ambas falsas) erra porque I está claramente apoiada no excerto.

Dica de interpretação para concursos: preste atenção ao tom (palavras como “portanto” e “não lhes estranhem” indicam aprovação/tolerância), evite projeções anacrônicas (supor sempre que jesuítas eram apenas repressivos) e relacione trecho com função social das práticas culturais.

Fontes sugeridas: André João Antonil, Cultura e Opulência do Brasil; obras de referência sobre escravidão colonial (ex.: Boris Fausto).

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