Leia atentamente o excerto a seguir. “A América é uma te...
“A América é uma terra vasta. Lá existem muitas tribos de homens selvagens com muitas línguas diversas e numerosos animais esquisitos. Tem um aspecto agradável. As árvores estão sempre verdes. Existem também frutos terrestres e arbóreos dos quais se alimentam homens e animais. Os habitantes andam nus. É gente capaz, astuta e maldosa, sempre pronta a perseguir os inimigos e devorá-los.”
STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte São Paulo: Itatiaia-Edusp, 1974.
A partir do texto acima, pode-se inferir corretamente que Staden
Gabarito comentado
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Resposta correta: Alternativa D
Tema central: análise de discurso de viajantes coloniais e identificação de atitudes etnocêntricas — ou seja, como o narrador avalia povos indígenas e a natureza em seu relato.
Resumo teórico: textos de cronistas e viajantes frequentemente misturam admiração pela natureza com juízos depreciativos sobre os povos observados. Esse tipo de posição é etnocêntrico: avalia outra cultura segundo padrões próprios. (Fonte de referência: STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil; conceito de etnocentrismo — Britannica/Merriam‑Webster.)
Justificativa da alternativa D (correta): o excerto destaca dois focos: a exuberância da natureza (“aspecto agradável”, “árvores sempre verdes”, frutos) e, ao mesmo tempo, termos depreciativos sobre os indígenas (“selvagens”, “andam nus”, “astuta e maldosa”, “devorá-los”). Esses traços indicam que o autor valoriza a natureza e despreza os costumes dos habitantes — exatamente o que afirma a alternativa D.
Análise das alternativas incorretas:
A: afirma que Staden “revela-se constrangido e encantado e valoriza os costumes”. Errado — ele se mostra encantado pela natureza, não pelos costumes; o tom sobre os indígenas é negativo, não valorizador.
B: diz que reconhece a superioridade das sociedades indígenas. Errado — o texto não atribui superioridade aos indígenas; usa termos pejorativos que indicam desvalorização.
C: afirma que valoriza o patrimônio cultural e vê os indígenas como “infância da humanidade”. Errado — não há idealização nem discurso progressista/filosófico; há descrições negativas e ameaçadoras.
Estratégia de prova: leia atentamente os adjetivos e o tom do narrador. Pergunte-se: o enunciador elogia os costumes humanos ou descreve-os como inferiores/perigosos? Palavras como “selvagens”, “devorá‑los” e “andam nus” denunciam juízo negativo — sinal de alternativa que fala em desprezo.
Fonte principal citada: STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil (ed. Itatiaia‑Edusp, 1974). Para o conceito teórico: verbetes sobre etnocentrismo em enciclopédias de antropologia (Britannica).
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