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Ano: 2019 Banca: FAG Órgão: FAG Prova: FAG - 2019 - FAG - Vestibular - Segundo Semestre |
Q1370250 Português
Texto 2


O vício da tecnologia


    Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os olhos voltados para uma exposição de novidades eletrônicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre as inovações, estavam produtos relacionados a experiências de realidade virtual e à utilização de inteligência artificial — que hoje é um dos temas que mais desperta interesse em profissionais da área, tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos.
    Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma ansiedade tão grande para consumir produtos que prometem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dispõe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos primeiros a comprar um novo modelo de smartphone? Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para comprar aparelhos que não temos sequer certeza de que serão realmente úteis em nossas rotinas?
    A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford (Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” por novos gadgets. De modo geral, em nosso processo evolutivo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu a suprir necessidades básicas para a sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, segurança e status social.
    Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica atende a essa última necessidade citada: nós nos sentimos melhores e superiores, ainda que momentaneamente, quando surgimos em nossos círculos sociais com um produto que quase ninguém ainda possui.
    Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativavam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativadas quando uma pessoa muito religiosa se depara com um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que o vício em novidades tecnológicas é quase uma religião para os mais entusiastas.
    O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado dopamina, responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo que represente uma recompensa.
    O grande problema é que a busca excessiva por recompensas pode resultar em comportamentos impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo, podemos observar a situação problematizada aqui: gasto excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes apresentam poucas mudanças em relação ao modelo anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou inovadora no cotidiano.
    No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a conter os impulsos na hora de comprar um novo smartphone ou alguma novidade de mercado: compare o efeito momentâneo da dopamina com o impacto de imaginar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com a nova compra. O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018. Adaptado.
De acordo com o ordenamento das ideias no texto 2, observa-se que, depois de explicar a função da dopamina no cérebro, o texto se refere à ideia de que:
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de Texto (Sequência lógica e coesão/coerência)

A habilidade exigida aqui está em reconhecer a ordem das ideias e estabelecer a relação de sequência entre os parágrafos. Conforme as gramáticas de referência, como Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra, compreender coesão e coerência é essencial para decifrar como um texto se organiza e desenvolve seu tema.

Justificativa da alternativa correta (E):

Após explicar a função da dopamina (parágrafo sobre sua liberação e o prazer sentido ao obter novidades tecnológicas), o texto imediatamente passa a discutir as consequências negativas dessa busca por recompensa: “A busca excessiva por recompensas pode resultar em comportamentos impulsivos, que incluem vícios... gasto excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos...”. Essa passagem corresponde exatamente à alternativa E, mantendo a sequência lógica e a coerência do texto.

Estratégia de interpretação: Em questões que pedem a identificação do encadeamento, leia o trecho-chave e localize no texto o que aparece logo em seguida. Sublinhe os conectivos ou expressões temporais/casuais que indicam sequência.

Análise das alternativas incorretas:

  • A – Refere-se a um questionamento feito antes da explicação da dopamina, na parte inicial do texto (coerência comprometida se usada após).
  • B – O mapeamento cerebral é citado antes, preparando o leitor para a explicação sobre a dopamina, não depois.
  • C – O processo evolutivo e as necessidades básicas aparecem no início da explicação, sem ligação sequencial direta com a função da dopamina.
  • D – O interesse dos profissionais é apresentado já no começo do texto, sem vínculo direto com a sequência lógica exigida.

Resumo da estratégia vencedora: Analise a relação temporal/causal entre os parágrafos. O texto, após explicar a dopamina, debate os efeitos negativos desse ciclo de busca compulsiva – exatamente o que E explicita.

Regra de ouro: Coerência e sequência textual são decisivas para gabaritar questões de interpretação. Preste atenção no antes e depois de cada informação apresentada!

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