Não é minha intenção que não haja escravos... nós só queremo...

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Ano: 2006 Banca: VUNESP Órgão: UNIFESP Prova: VUNESP - 2006 - UNIFESP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q227641 História
Não é minha intenção que não haja escravos... nós só queremos os lícitos, e defendemos (proibimos) os ilícitos. Essa posição do jesuíta Antônio Vieira, na segunda metade do século XVII,
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa A

Tema central: a posição do jesuíta António Vieira sobre a escravidão no século XVII. É preciso entender o debate colonial entre a proteção dos indígenas (principalmente quando convertidos) e a aceitação da escravidão de africanos trazidos pelo tráfico atlântico.

Resumo teórico: os jesuítas defendiam a catequese e a proteção dos indígenas contra a escravização ilegal por colonos. Ao mesmo tempo, a economia colonial dependia do tráfico de africanos. Vieira, influente pregador e conselheiro, adotou posição intermedia: rejeitava as formas ilícitas de aprisionamento de índios, mas não combateu frontalmente a escravidão africana inserida na legalidade econômica e imperial da época.

Justificativa da alternativa A: a frase "somos pelos lícitos, e proibimos os ilícitos" indica que Vieira aceitava formas legais de escravidão (na prática, o tráfico e a escravização de africanos reconhecida pelo sistema colonial) e combatia as práticas ilegais — sobretudo a captura e escravização de indígenas, especialmente quando eram cristianizados ou protegidos pela coroa/ordenações. Estudos sobre Vieira (ex.: Sermões de António Vieira; análise por Stuart B. Schwartz e Evaldo Cabral de Mello) mostram essa ênfase jesuítica na defesa dos índios frente aos abusos dos colonos.

Análise das alternativas incorretas:

B — "admite a escravidão apenas em caso de guerra justa": não é o foco do trecho. Vieira não limita a escravidão a "guerra justa"; fala em legalidade/ilegalidade, não em critérios de guerra.

C — "apóia a proibição da escravidão aos que se convertem ao cristianismo": apesar de os jesuítas defenderem batizados, a formulação do enunciado é mais ampla: Vieira distingue entre o que é lícito no sistema colonial e o que é ilícito, apontando para uma diferença entre escravidão "permitida" (na prática, africana) e a escravização ilegal de indígenas. Assim, C é parcialmente verdadeira em outro contexto, mas não captura a intenção geral do trecho como a alternativa A faz.

D — "restringe a escravidão ao trabalho estritamente necessário": o trecho não trata de 'necessidade' do trabalho, mas de legalidade; portanto, D está incorreta.

E — "conserva o mesmo ponto de vista tradicional sobre a escravidão em geral": Vieira apresenta uma nuance crítica — não um aplauso integral ao status quo — ao separar o lícito do ilícito, por isso não conserva simplesmente o ponto de vista tradicional.

Dica de prova: busque palavras-chave (aqui: "líctos/ilícitos") e relacione-as ao contexto histórico (papel dos jesuítas, economia escravocrata e proteção dos indígenas). Evite respostas que parecem corretas isoladamente (como C) sem confrontar com o sentido amplo do enunciado.

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Os jesuítas argumentavam que os índios eram livres por sua própria natureza, ao passo que os negros, como descendentes de Cam (filho amaldiçoado de Noé), tinham a sina de servir como escravos. Na realidade, os jesuítas protegiam os indígenas contra a escravidão, mas serviam-se deles como mão-de-obra gratuita.

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