Leia os excertos a seguir. O Manifesto de Agosto de 1961 co...

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Ano: 2024 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2024 - UEG - Vestibular (1º Semestre 2025) |
Q3510667 História
Leia os excertos a seguir.

O Manifesto de Agosto de 1961 convocava a população goiana para a “resistência legalista, democrática e patriótica”. Caso a previsão da ditadura golpista fosse concretizada, o Palácio das Esmeraldas se transformaria em uma espécie de trincheira com os batalhões militares e de voluntários em derredor. As armas dos civis foram reunidas, uma rede de rádio foi montada para a comunicação. Até um plano de dinamitar as pontes que ligavam Goiás ao resto do território nacional foi imaginado, para o caso de ocorrer uma invasão territorial. Então o governador [Mauro Borges] ofereceu Goiânia para ser sede provisória do governo de Jango, deixando um avião à sua disposição.
QUADROS Eduardo. Seminário de Extensão do Curso de História da UEG. 28 de setembro de 2024. Disponível em: https://youtube.com/watch?v=LGUBXZvsX2A . Acesso em: 3 out. 2024.

Quando escreveu, no dia 13 de maio de 1964, ao primeiro presidente da ditadura militar, marechal Castello Branco, para tentar provar o alinhamento do Palácio das Esmeraldas com o regime que se iniciava, o governador Mauro Borges terminou sua defesa com as seguintes palavras: “Vossa Excelência removerá por certo as injúrias e, enfim, os menosprezos de toda ordem adredemente (intencionalmente) preparados contra o espírito da Revolução da qual – permita-me a imodéstia – fui parte integrante.”

Secretaria de Comunicação da UFG. A atuação de Mauro Borges no golpe de 64. Disponível em: https://secom.ufg.br/n/68451-a-atuacao-de-mauro-borges-nogolpe-de-64. Acesso em: 10 out. 2024.



Em relação aos excertos apresentados, conclui-se que
Alternativas

Gabarito comentado

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Alternativa correta: E

Tema central: a questão pede interpretar o comportamento político do governador Mauro Borges diante dos eventos de 1961 e do golpe de 1964 — isto é, avaliar se sua atuação foi coerente ou ambígua diante da crise política que levou à ditadura militar.

Resumo teórico e contexto: em 1961 houve a chamada “Campanha da Legalidade” (liderada por Brizola) para garantir a posse de João Goulart; vários governadores, entre eles Mauro Borges (Goiás), apoiaram medidas de resistência legalista. Em 1964 ocorreu o golpe militar que instaurou a ditadura; vários atores civis que antes haviam defendido a legalidade depois acomodaram-se ou apoiaram o novo regime. Fontes úteis: os excertos citados (Secretaria de Comunicação da UFG; vídeo de Eduardo Quadros) e o Relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014) para a trajetória da repressão.

Por que E é correta: os excertos mostram claramente a ambivalência de Mauro Borges — em 1961 liderou a resistência em defesa de Jango (ofereceu Goiânia como sede provisória, organizou defesa), mas em carta de 13/5/1964 manifestou concordância e busca de alinhamento com o novo governo militar. Assim, a caracterização de posição dúbia (resistência legalista em 1961 e endosso/acomodação ao regime em 1964 com perseguição à esquerda) está bem fundamentada nos documentos citados.

Análise das demais alternativas (por que são incorretas):

A: Falsa — o golpe de 1964 não foi uma implantação “legítima” por ausência do presidente; tratou‑se de ação coercitiva das Forças Armadas com apoio civil, não de processo constitucional regular (ver análises históricas e relatórios como o da CNV).

B: Falsa — a ditadura reprimiu opositores e não promoveu as “reformas de base” propostas por Jango; o crescimento econômico foi desigual e acompanhado de forte autoritarismo.

C: Parcialmente equivocada — o “Milagre Econômico” ocorreu sobretudo entre final dos anos 1960 e início dos 1970, com forte concentração de renda; a crise de 1973 teve efeitos, e a inflação só foi controlada de modo duradouro com o Plano Real em 1994, mas a alternativa generaliza e erra ao afirmar continuidade total do processo até 1973 e simplifica demais a trajetória econômica.

D: Imprecisa/errada — a Guerrilha do Araguaia atuou no vale do rio Araguaia (principalmente no sul do então Estado do Pará) e foi combatida com violência pelo aparato militar; porém a alternativa erra ao situar como “norte de Goiás” e ao reduzir responsabilidades a uma única figura, quando a repressão foi ação institucional das forças armadas (veja Relatório da CNV).

Fontes citadas: Secretaria de Comunicação da UFG (arquivo sobre Mauro Borges); QUADROS, Eduardo (sem. UEG); Comissão Nacional da Verdade — Relatório (2014).

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