Sobre as transformações urbanas e sociais ocorridas em Forta...
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Alternativa correta: E
Tema central: as transformações urbanas de Fortaleza na 2ª metade do século XIX — projetos de ordenamento (plantas de Adolfo Herbster), abertura de avenidas, alinhamento de ruas e casas — e seu papel no controle social e na modernização inspirada pelo higienismo.
Resumo teórico: no século XIX, reformas urbanas no Brasil foram motivadas por discursos higienistas e pela necessidade de ordenar cidades em crescimento. O plano em xadrez, o alinhamento de fachadas e a abertura de avenidas buscavam melhorar circulação, drenagem e salubridade, além de impor visibilidade e disciplinamento social. Essas intervenções resultavam de projetos técnicos (engenheiros) articulados com interesses das elites municipais — comerciais e administrativas — para reordenar o espaço público.
Fontes e referência rápida: plantas de Adolfo Herbster (1875, 1888) e estudos de história urbana sobre Fortaleza e o higienismo no Brasil (arquivos municipais do Ceará; literatura acadêmica sobre urbanismo e saúde pública no século XIX).
Por que E é correta
E sintetiza bem a intenção das plantas de Herbster: visavam o alinhamento de ruas e casas e a abertura de avenidas como instrumentos de ordenamento urbano e de controle social — disciplinando circulação, visibilidade e usos do espaço, conforme lógica higienista e das elites urbanas.
Análise das alternativas incorretas
A — Incorreta. Aberturas e alargamentos visavam mais a circulação, salubridade e a visibilidade do poder municipal; não foram pensados primordialmente para facilitar manifestações partidárias populares — muitas vezes serviram para controlar e dispersar aglomerações.
B — Incorreta. O traçado em xadrez já vinha de lógicas de ordenamento urbano e decisões técnico-administrativas; embora comerciantes tivessem interesses, não foi exclusivamente ação mercantil que determinou o plano.
C — Incorreta. As plantas de Herbster contemplavam perspectivas de expansão e reordenação de áreas despovoadas — não negavam ampliação, mas propunham como incorporá‑las ao quadro urbano.
D — Incorreta. Abertura das avenidas está ligada ao discurso médico-higienista e à ação do poder público em parceria — mais uma convergência de saber técnico e autoridade do que uma mera "disputa" entre os dois.
Dica de prova: procure termos-chave (Herbster, higienismo, alinhamento, ordenamento, controle social). Desconfie de alternativas que exprimem apenas parte da verdade ou reescrevem a relação entre atores como exclusões categóricas.
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Gabarito: E.
Segundo Muniz (2006), é de Adolpho Herbster, também, a autoria do Código de Posturas, de 1865, atualizado em 1870. Estes códigos tratavam do dimensionamento de espaços públicos, das configurações de fachadas e de um plano de drenagem, pois já se iniciava o processo de pavimentação das vias. Entretanto, a realização mais importante de Adolpho Herbster e de fundamental importância para o entendimento da expansão urbana de Fortaleza foi a elaboração das plantas realizadas nos anos de 1859, 1863, 1875 e 1888. A primeira planta de Fortaleza elaborada por Adolfo Herbster foi chamada de “Planta Exacta de 1859”. Nela constava o acréscimo de vários elementos, comparando-a com última planta levantada, tais como o levantamento do sistema ecológico, das vias de acesso à cidade, da denominação dos logradouros públicos (as ruas de sentido Leste-Oeste são chamadas travessas), registrando, também, todo o equipamento urbano público e privado então existente. No final do ano de 1863, afirma Muniz (2006) que a Câmara Municipal resolveu dividir a cidade em bairros e relacionar o número de vereadores ao número de bairros, assim, encomendou uma nova planta ao arquiteto Adolpho Herbster, a qual denominou de “Planta Reformada de 1863”. A terceira planta da cidade realizada por Herbster ocorreu em 1875, na qual projetou Fortaleza inspirado nas alterações feitas à planta de Paris, introduzindo uma cinta de avenidas circuncidando o espaço urbano efetivamente habitado (FORTALEZA, 1979). Segundo Oriá e Jucá (1995), a realização desse projeto foi como um marco inicial para a modernização urbana da cidade, revelando a preocupação do poder público municipal de examinar minuciosamente a malha urbana, com o objetivo de sistematizar a expansão de Fortaleza através do alinhamento de suas ruas e da abertura de novas avenidas. Em 1888, Adolpho Herbster atualizou a planta de 1875, desenhando a Planta da Cidade de Fortaleza, Capital da Província do Ceará. A cidade, nesse período, começava a espalhar-se, e dessa forma as estradas de saída para o interior tinha se reduzido, praticamente, a três vias: Messejana, Parangaba (Arronches) e Caucaia (Soure). A expansão para Leste e Oeste ainda não tinha ocorrido, mas já era possível notar uma pequena descentralização para esses setores da cidade (FORTALEZA, 1982).
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