De acordo com o antropólogo David Nemer, a geração de image...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4038058 Português
IA permite viajar sem sair do sofá
e ainda matar amigos de inveja


   Basta rolar o feed por alguns minutos. Nas redes sociais, surgem fotos de amigos ou influenciadores em cenários típicos de férias perfeitas: alguém aos pés da Torre Eiffel, em Paris, outro numa praia de águas azuis do Caribe ou de algum paraíso nordestino, sem falar no semblante de encantamento diante do castelo da Disney, nos Estados Unidos da América (EUA). Na era da tecnologia, não é preciso ser nenhum privilegiado para compartilhar frequentemente fotos assim nas redes. Aplicativos de inteligência artificial (IA) fazem sucesso produzindo imagens de pessoas em cenários nos quais elas nunca pisaram, confundindo muita gente.
     A primeira febre de manipulação de fotos com IA foi a aplicação de filtros no estilo de animação, seguida de retratos de infância recriados em novos cenários. Agora, a onda é compartilhar imagens simulando cenas de turismo, muitas vezes sem qualquer indicação de que foram geradas artificialmente. Os recursos estão em aplicativos que também usam a IA para simular ensaios fotográficos de aniversário nunca comemorados ou fotos em ambiente corporativo (geralmente com aquele figurino de executivo e cara de conteúdo) para compor perfis profissionais nas redes.
      Para o antropólogo David Nemer, o uso de IA com esse objetivo diz muito mais sobre a cultura digital contemporânea no mundo do que sobre “falsidade”. Ele recorre ao conceito atual de economia da performance, em que a visibilidade digital funciona como capital simbólico. A imagem atrai, mas não é registro: vira status e narrativa pessoal, numa lógica que já existia com filtros e programas de edição de fotos.
      “O valor não está no que você viveu, mas no que você consegue mostrar”, diz o antropólogo. “E ainda reforça desigualdades, porque quem já tem mais repertório digital, literacia tecnológica e familiaridade com IA consegue manipular melhor essas ferramentas e construir imagens mais ‘críveis’, enquanto outros ficam excluídos ou vulneráveis a julgamentos morais”.


(Carolina Nalin. O Globo, 07.12.2025. Adaptado.)
De acordo com o antropólogo David Nemer, a geração de imagens por meio de IA reforça desigualdades porque, entre outras razões,
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela causa explicitada no último parágrafo, introduzida por “porque”: o reforço das desigualdades decorre do fato de que “quem já tem mais repertório digital, literacia tecnológica e familiaridade com IA consegue manipular melhor essas ferramentas”. Como o enunciado pede essa razão, o gabarito é a alternativa C, que a retoma por paráfrase fiel.

Tema central: desigualdade no uso da IA
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque troca a causa apontada pelo texto por uma leitura moralizante centrada em “falsidade”. O próprio texto afasta isso ao dizer que o uso de IA com esse objetivo diz muito mais sobre a cultura digital contemporânea do que sobre “falsidade”. Portanto, a desigualdade não é explicada, no trecho decisivo, por narrativas falsas.
B
Errada
Incorreta por contradição semântica direta. Quando o texto afirma que a visibilidade digital funciona como capital simbólico, ele atribui valor social a essa visibilidade. Logo, chamá-la de irrelevante inverte o sentido do texto.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reproduz, de modo fiel, o núcleo da explicação dada por David Nemer. O texto afirma que o reforço das desigualdades ocorre porque algumas pessoas já têm mais repertório digital, literacia tecnológica e familiaridade com IA do que outras, o que lhes permite manipular melhor as ferramentas. A alternativa não inventa causa nova nem desloca o sentido: ela condensa a oposição textual entre quem tem mais domínio e quem fica excluído ou vulnerável.
D
Errada
Incorreta porque afirma o oposto do que o texto diz. A fala do antropólogo estabelece uma diferença clara entre “quem já tem mais repertório digital...” e “outros”, mostrando que nem todos conseguem lidar bem com as ferramentas; alguns manipulam melhor, e outros ficam excluídos ou vulneráveis.
E
Errada
Incorreta por extrapolação indevida. O texto menciona filtros e programas de edição como recursos já presentes nessa lógica digital, mas não afirma que sejam de uso restrito. A desigualdade apontada decorre de domínio desigual das ferramentas, não de restrição formal de acesso.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar o foco da causa explicitamente formulada por “porque” para ideias próximas do texto, mas erradas: “falsidade”, irrelevância do capital simbólico, domínio universal das ferramentas ou uso restrito dos aplicativos.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir a razão de um fenômeno, localize no texto o trecho introduzido por marca causal, como “porque”.
  • Prefira a alternativa que parafraseia o trecho causal sem alterar seu núcleo de sentido.
  • Elimine opções que trocam competência desigual por juízo moral, generalização ou restrição de acesso não afirmada no texto.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

 “E ainda reforça desigualdades, porque quem já tem mais repertório digital, literacia tecnológica e familiaridade com IA consegue manipular melhor essas ferramentas" GABARITO C

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo