“Tu não viu que, para eles, a gente é menor que pichilinga ...

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Ano: 2010 Banca: UFAC Órgão: UFAC Prova: UFAC - 2010 - UFAC - Vestibular - Prova 2 |
Q222459 História
“Tu não viu que, para eles, a gente é menor que pichilinga de galinha? Carece, só, de Firmino continuar calado e escondido. Eles não estão a fim de atucanar nós. [...] Agaildo deu de ficar acordado até tarde. Rondava o varadouro, descia ao igarapé, vigiava o roçado. Tinha vez de até dormir no casco, que amarrava perto do sumidouro do açude. Às vezes ficava olhando o irmão, uma pontinha de inveja: devia de ser bom saber ler, clareava as idéias. Firmino entendia dessa história de reforma agrária, reserva florestal, Empate, e tanto nome mais que ele nem lembrava!”

ESTEVES, Florentina. O empate. Rio de Janeiro: Oficina do Livro, 1993, p. 42.

O contexto tratado, na obra referenciada de Florentina Esteves, permite associá-lo, historicamente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é a presença de “Empate” no trecho, associada a “reforma agrária” e “reserva florestal”, o que identifica o contexto histórico dos conflitos socioambientais na Amazônia acreana e da resistência dos seringueiros contra a derrubada da mata e a expulsão de suas colocações.

Tema central: Empates no Acre
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa toca no contexto econômico mais amplo, ao mencionar a substituição do extrativismo vegetal pela pecuária, mas não capta o ponto específico cobrado pelo enunciado: a resistência dos seringueiros por meio dos empates. O problema, portanto, é de adequação ao núcleo histórico exigido, e não de incompatibilidade total com o cenário geral.
B
Certa
A alternativa B corresponde ao contexto histórico indicado no enunciado. A menção a “Empate”, junto de “reserva florestal” e do ambiente de vigilância no seringal, remete à organização dos seringueiros acreanos para resistir ao desmatamento e às tentativas de expulsão promovidas por fazendeiros e empresários frequentemente chamados de “paulistas”.
C
Errada
A alternativa apresenta erro institucional e de sujeito histórico. “Seringalistas” são proprietários de seringais, não os seringueiros organizados em defesa das populações tradicionais. Assim, a referência a um “Conselho Nacional dos Seringalistas” não corresponde ao contexto do trecho.
D
Errada
A alternativa inverte o sentido do processo histórico. No contexto amazônico associado ao regime militar, houve avanço da ocupação territorial, da pecuária, da exploração mineral e do desmatamento, e não desestruturação da produção pecuária regional em favor do extrativismo vegetal e mineral.
E
Errada
A alternativa introduz um sujeito coletivo e uma agenda que não correspondem ao contexto específico dos empates. O trecho remete à luta dos seringueiros acreanos contra o desmatamento e a expulsão de suas colocações, e não ao MST nem à substituição do sistema de aviamento por produção pecuária em terras do MST.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o contexto econômico de fundo — avanço da pecuária sobre áreas extrativistas — e o fato histórico específico cobrado, que é a organização dos seringueiros nos empates; também testa a distinção entre “seringueiro” e “seringalista”.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado trouxer “Empate”, “reserva florestal” e conflito no seringal, procure a alternativa ligada à resistência coletiva dos seringueiros contra desmatamento e expulsão.
  • Diferencie sujeito social de proprietário: seringueiro não é seringalista, e essa troca costuma invalidar a alternativa.
  • Não escolha a opção que apenas descreve o pano de fundo econômico se o texto apontar uma forma histórica concreta de mobilização.
  • Desconfie de alternativas que associem genericamente todo conflito por terra na Amazônia ao MST; o sujeito histórico específico precisa bater com o enunciado.

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