“— Vou ver o que posso fazer — prometeu ele.” (8º parágraf...

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Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: EINSTEIN Prova: VUNESP - 2022 - EINSTEIN - Vestibular Unificado - Prova I |
Q4112844 Português
Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

    Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

    Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
     Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
    — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
    Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
    Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
     — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
    — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
    — Logo esta? — protestei.    
    — As outras estão muito gastas.
    Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

    Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

(Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
“— Vou ver o que posso fazer — prometeu ele.” (8º parágrafo)
Ao se transpor o trecho para o discurso indireto, a locução verbal sublinhada assume a seguinte forma:
Alternativas

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joguei a questão no gemini para clarear as idéias A alternativa correta é a A: veria.

Vamos entender o passo a passo da transposição do discurso direto para o indireto, que é um tema clássico em provas:

No trecho original em discurso direto (a fala exata do personagem), temos:

  • "— Vou ver o que posso fazer"

A locução verbal "vou ver" (formada pelo verbo auxiliar "ir" no presente + verbo principal no infinitivo) indica uma ação que ainda vai acontecer. Ela tem o mesmo valor semântico do tempo simples Futuro do Presente do modo indicativo: "verei".

O verbo que relata a fala é "prometeu" ("— prometeu ele."). Como o verbo "prometeu" está no passado (Pretérito Perfeito), isso "puxa" os tempos verbais da fala original para o passado quando fazemos a transposição para o discurso indireto. É o que chamamos de adequação ou correlação temporal.

A regra gramatical clássica para a conversão de tempos verbais (quando o verbo que introduz a fala está no passado) determina que:

  • O verbo que está no Futuro do Presente ("verei" ou a locução "vou ver") deve ser transformado para o Futuro do Pretérito ("veria").

Para tirar a prova real, basta montar a frase completa relatando o que ele disse:

  • Discurso Direto: "— Vou ver o que posso fazer — prometeu ele."
  • Discurso Indireto: Ele prometeu que veria o que podia fazer.

(Observe como um detalhe extra que o verbo "posso", que estava no Presente do Indicativo, também sofreu o recuo temporal correto e foi parar no Pretérito Imperfeito: "podia").

Se você quisesse usar as outras alternativas no discurso indireto, a fala original (discurso direto) teria que ser diferente. Veja as correspondências:

  • B) viu: (Pretérito Perfeito). Só seria a resposta se a fala original fosse no passado: "— Eu vi... — disse ele." -> Ele disse que vira / tinha visto. (A conversão aqui seria para o mais-que-perfeito, então "viu" não se encaixaria como verbo principal convertido).
  • C) via: (Pretérito Imperfeito). Seria a resposta se a fala original estivesse no presente: "— Eu vejo... — disse ele." -> Ele disse que via.
  • D) vira: (Pretérito Mais-que-perfeito). Seria a resposta se a fala original estivesse no passado simples: "— Eu vi... — disse ele." -> Ele disse que vira (ou tinha visto).
  • E) verei: (Futuro do Presente). É apenas a versão simples da locução "vou ver". Usar "verei" manteria a frase no discurso direto, e não no indireto.

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