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Que significará dizer que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, previamente concebida. O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após esse impulso para a existência; o homem não é mais do que o que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo.
SARTRE, Jean Paul. O Existencialismo é um humanismo. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 6. [Adaptado].
Ao comparar as ideias de Sartre presentes no trecho apresentado com a tradição filosófica do Ocidente, verifica-se que ele estabelece uma oposição direta às ideias de
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Alternativa correta: C — Aristóteles e Tomás de Aquino.
Tema central: a frase "a existência precede a essência" é um lema existencialista (Sartre) que afirma que o ser humano primeiro existe concretamente e só depois define a sua essência mediante escolhas. A questão contrapõe esse ponto à tradição metafísica ocidental que sustenta a prioridade da essência sobre a existência.
Resumo teórico: para Sartre (O Existencialismo é um Humanismo, 1946) não há natureza humana preexistente: o indivíduo se define pela ação. Já na tradição aristotélica e tomista há a ideia de que a essência (o que uma coisa é) tem prioridade conceitual — e, segundo Tomás de Aquino, em criaturas a essência não implica existência; a existência atualiza a essência, e apenas em Deus essência=existência (cf. Aristóteles, Metafísica; Tomás, Suma Teológica).
Justificativa da alternativa C: Aristóteles e, sobretudo na leitura escolástica de Tomás, defendem que a forma/essência é princípio da identidade das coisas e que, no plano metafísico, a essência antecede a explicitação do ser concreto. Essa visão é diretamente oposta ao exotismo existencialista de Sartre, que inverte a prioridade.
Análise das alternativas incorretas:
A — Bacon e Locke são empiristas que atacam o inatismo e afirmam primazia da experiência no conhecimento; não tratam diretamente da tese metafísica "essência precede existência" como núcleo a ser defendido contra o existencialismo.
B — Platão valoriza Formas/essências transcendentais (o que aproxima dele a ideia de essências anteriores), e Descartes estabelece dualismo e primazia da razão. Contudo, a oposição clássica apontada por Sartre no sentido metafísico é mais diretamente dirigida ao aristotelismo e à escolástica tomista, que estruturaram a noção de essência como princípio definidor.
D — Hume e Montaigne são céticos/empíricos que questionam a certeza da razão; sua crítica não equaciona a discussão sobre prioridade ontológica entre essência e existência como faz Sartre.
E — Habermas e Adorno criticam a razão instrumental e a modernidade, mas são pensadores da teoria crítica, não representantes da tradição metafísica que sustenta a prioridade da essência sobre a existência.
Estratégia para resolver questões assim: identifique termos-chave ("existência precede essência" = existencialismo vs essencialismo) e associe rapidamente a posição a correntes/metafísicas clássicas (Aristóteles/Tomás = essência anterior; Sartre = inversão). Desconfie de alternativas que aproximem pensadores por temas próximos (razão, empirismo, crítica social) quando a questão é especificamente ontológica.
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