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Ano: 2024 Banca: UEG Órgão: UEG Prova: UEG - 2024 - UEG - Vestibular (2º Semestre 2024) |
Q3510140 História

Leia o texto a seguir.



Como havia ordem de Vossa Majestade para esta Provedoria assistir as aldeias com o que lhe fosse necessário, aproveitaram, os ditos jesuítas, na administração que delas tinha [...] para fazerem um exorbitante roubo à Real Fazenda, e enviando réis de fingidas despesas.


CARTA do governador João Manuel à Corte. 29 de maio de 1760. In: PALACIN, L. Subversão e corrupção. Goiânia: Ed. da UFG, 1983. p. 14.  



Na carta do governador da capitania de Goiás João Manuel à corte, percebe-se a intenção de apresentar a ordem jesuíta como sendo desonesta. O motivo político que explica essa atitude do governador foi

Alternativas

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Resposta correta: B

Tema central: trata-se da crise entre a Coroa pombalina e a Companhia de Jesus no século XVIII. Para responder, é preciso reconhecer o contexto das reformas do Marquês de Pombal (décadas de 1750–1770) e a política de centralização e secularização promovida pela metrópole.

Resumo teórico: Marquês de Pombal aplicou medidas para fortalecer o Estado português: reforma administrativa, econômica e religiosa. Em 1759 foi decretada a expulsão dos jesuítas dos domínios portugueses (alvará régio e ações subsequentes), com acusações de conspirar, desviar recursos e proteger interesses locais. No Brasil as propriedades e aldeias geridas pelos jesuítas foram confiscadas e passaram ao controle direto da Coroa.

Justificativa da alternativa B: A carta de 1760 do governador acusa os jesuítas de “roubo à Real Fazenda” — a linguagem corresponde à campanha pombalina que legitimava medidas punitivas contra a ordem. Em 1759–1760 a Corte apoiava relatos que apresentavam os jesuítas como corruptos e perigosos, justificando sua expulsão e a tomada das aldeias. Portanto, o motivo político é a ação coordenada do Marquês de Pombal contra a presença jesuítica no Brasil.

Análise das alternativas incorretas:

A: conflito entre jesuítas e franciscanos/salesianos — incorreto: Salesianos são do século XIX; rivalidades religiosas existiam, mas não explicam a ação pombalina de 1759–60.

C: favorecimento aos bandeirantes — há tensões históricas (bandeirantes capturavam indígenas), porém a carta e o contexto revelam uma iniciativa institucional da Coroa, não apenas pressão de bandeirantes.

D: “república indígena do Paraguai” — referência imprecisa: as reduções jesuíticas no Paraguai eram comunidades missionárias, mas a motivação do governador não foi “ressentimento” por uma república indígena; sim a campanha anti‑jesuítica de Pombal.

E: cobrança do dízimo sobre o ouro — disputas fiscais existiam em Minas e Goiás, mas a acusação de desvio de verbas das aldeias enquadra‑se melhor na estratégia pombalina de desacreditar os jesuítas para justificar sua expulsão.

Dica de interpretação: atente ao contexto cronológico (1760) e ao destinatário (Corte). Expressões como “roubo à Real Fazenda” sinalizam busca por legitimação política de medidas centrais — pense nas reformas pombalinas.

Fontes úteis: documentos do período (alvará de 1759), obras sobre Pombal e a expulsão dos jesuítas e referências como Palacin, L., Subversão e corrupção.

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Comentários

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Apesar da conexão histórica entre Estado e Igreja, o Marquês de Pombal tinha como objetivo a disputa política contra o controle da ordem jesuíta, econômica e administrativa, buscando a centralização do poder na Coroa Portuguesa.

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