“Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os ...

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Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: SÃO CAMILO Prova: VUNESP - 2019 - SÃO CAMILO - Processo Seletivo - 2º Semestre de 2019 - Medicina |
Q1798228 Português
Leia a crônica de Ruy Castro para responder à questão. 

Como um tumor

     Cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, criaram uma rã transparente, cujas intimidades ficam expostas e podem ser perfeitamente observadas pelo lado de fora. Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando. Outra vantagem é a de que poderão acompanhar uma rã por todo o seu ciclo de vida — o ciclo de vida da rã, claro, não dos cientistas.
    Para chegar à rã transparente, os japoneses, craques em engenharia genética, levaram anos cruzando exemplares de rãs albinas. E agora partiram para aperfeiçoá-la: vão fazer com que qualquer corpo estranho que apareça dentro da rã se acenda. Um tumor, por exemplo. 
     Já no Marrocos, também nesta semana, os cientistas da Universidade de Rabat conseguiram com que um pato nascesse no ovo de uma galinha. Se isso lhe parece meio mixo (afinal, no mesmo dia, em Recife, uma avó deu à luz seus próprios netos, lembra-se?), saiba que a proeza marroquina é considerada mais importante, pelo fato de os palmípedes e os galináceos constituírem famílias diferentes.
     Por coincidência, é o que se está discutindo em Brasília nos últimos dias: um político gerado num ovo destinado a palmípedes pode se baldear no meio do mandato para o terreiro dos galináceos, por ver neste mais oportunidades para ciscar? Em princípio, não. Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?
     Essas mudanças nunca são de graça. Assim, sugiro convocar os japoneses para cruzar nossos políticos com as rãs albinas e, com isso, criar políticos transparentes. Quando um deles recebesse um corpo estranho — uma propina, por exemplo —, esse corpo se acenderia. Como um tumor.

(Crônicas para ler na escola, 2010.)
“Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando.” (1° parágrafo)
Preservando o sentido original, a palavra sublinhada pode ser substituída por
Alternativas

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Comentário da questão – Interpretação e uso de conjunções causais

Tema central: Esta questão avalia sua capacidade de interpretar o uso das conjunções subordinativas causais em um texto e de identificar alternativas que preservem o sentido no contexto.

No trecho analisado, a palavra "porque" introduz a causa de terem-se salvo as gerações de rãs: os cientistas não precisarão mais dissecá-las. Segundo a norma-padrão (Bechara; Cunha & Cintra), conjunções causais ligam orações em que uma delas expressa o motivo da ação principal.

Alternativa correta:

A) visto queCorreta. A expressão "visto que" exerce função exclusivamente causal, podendo substituir "porque" sem alteração do sentido. Segundo a gramática normativa, "visto que" é conjunção causal, assim como "porque".

Exemplo análogo: “O evento foi cancelado, visto que choveu muito.”

Análise das alternativas incorretas:

B) ainda que – Equivocada. É conjunção subordinativa concessiva (oposição/contraste), não causal.
Exemplo: “Fomos ao parque, ainda que estivesse chovendo.”

C) desde que – Inadequada. Indica condição (hipótese), não causa.
Exemplo: “Você pode sair, desde que termine o dever.”

D) logo que – Inadequada. É uma conjunção temporal, denotando tempo, não motivo.
Exemplo: “Começarei o trabalho, logo que chegar.”

E) tal que – Errada. Forma expressão de intensidade ou consequência, não de causa.
Exemplo: “Foi de tal modo que assustou a todos.”

Estratégia de prova:
Sempre que a questão pedir a substituição de um conectivo, leia a sentença completa e avalie se a relação estabelecida é de causa, concessão, condição ou tempo. Não se deixe enganar por palavras aparentemente parecidas! Foque no sentido lógico da relação entre as orações.

Resumo: “Porque” e “visto que” são equivalentes em valor causal. Apenas a alternativa A mantém o sentido:

“Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, visto que os cientistas não precisarão mais dissecá-las (...).”

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CAUSAIS: porque, uma vez que, sendo que, visto que, como, etc.

LETRA A

Conjunção subordinada adverbial causal

Aqui vai uma explicação simples de cada uma dessas conjunções:

  • Significa: "porque" ou "já que".
  • Usado para: explicar a causa ou motivo.
  • Exemplo: Visto que choveu, o evento foi cancelado. (porque choveu)
  • Significa: "mesmo que" ou "apesar de".
  • Usado para: indicar concessão, algo que poderia ser um obstáculo, mas não impede.
  • Exemplo: Ainda que esteja cansado, ele vai trabalhar. (mesmo cansado)
  • Significa: "se" ou "contanto que".
  • Usado para: estabelecer uma condição.
  • Exemplo: Pode sair, desde que termine o trabalho. (se terminar)
  • Significa: "assim que" ou "imediatamente após".
  • Usado para: indicar sequência temporal.
  • Exemplo: Logo que terminar, me avise. (assim que terminar)
  • Significa: "de modo que" ou "a ponto de".
  • Usado para: indicar uma consequência.
  • Exemplo: A situação era tal que todos ficaram preocupados. (de modo que preocupou todos)

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