“Que ao menos os deuses façam felizes e maduros Marcelo e ...

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Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: SÃO CAMILO Prova: VUNESP - 2019 - SÃO CAMILO - Processo Seletivo - 2º Semestre de 2019 - Medicina |
Q1798223 Português
Leia o poema de Antonio Cicero para responder à questão.

Balanço

A infância não foi uma manhã de sol:
demorou vários séculos; e era pífia,
em geral, a companhia. Foi melhor,
em parte, a adolescência, pela delícia
do pressentimento da felicidade na malícia,
na molícia, na poesia,
no orgasmo; e pelos livros e amizades.
Um dia, apaixonado, encarei a minha
morte: e eis que ela não sustentou o olhar
e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
que me abate. Tarde aprendi a gozar
a juventude, e já me ronda a suspeita
de que jamais serei plenamente adulto:
antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
os deuses façam felizes e maduros
Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

(Porventura, 2012.) 
“Que ao menos os deuses façam felizes e maduros Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.”
Nesses versos, estão presentes as seguintes ideias:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e Semântica. A questão exige identificar sentimentos e valores expressos nos versos finais do poema, aplicando a leitura atenta ao sentido implícito do texto poético.

Justificativa da alternativa correta (D) – desejo e modéstia:

Nos versos destacados (“Que ao menos os deuses façam felizes e maduros Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos”), o eu-lírico expressa dois sentimentos centrais:

  • Desejo: O verbo “façam”, aliado à expressão “que ao menos”, indica claramente um anseio ou vontade do eu-lírico (que os deuses proporcionem felicidade e maturidade a Marcelo e a alguns versos de sua autoria). Segundo as gramáticas de Bechara e Cunha & Cintra, a utilização do subjuntivo revela o modo da incerteza e do desejo.
  • Modéstia: O poeta não aspira à glória de todos os seus versos; deseja apenas que “um ou dois” deles sejam felizes e maduros. Essa limitação revela humildade (“modéstia”) quanto a seu próprio valor como poeta.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) dúvida e vaidade: Não há incerteza ou autopromoção nos versos. O ‘desejo’ é claro, e a postura do eu-lírico é humilde, não vaidosa.
  • B) certeza e ironia: O texto expressa um pedido, não uma afirmação lógica (portanto, não há certeza), e não há tom de ironia.
  • C) premonição e insegurança: Não há previsão do futuro, nem insegurança evidente; o tom é de esperança discreta.
  • E) ordem e crítica: Expressa-se uma súplica, não uma ordem; tampouco há qualquer crítica presente.

Estratégia de interpretação: Fique atento a palavras que demonstrem vontade (“que ao menos... façam”) e a termos que restrinjam ou diminuam expectativas (“um ou dois dos meus futuros versos”). Das alternativas, apenas D contempla corretamente o sentido duplo do trecho.

Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), o contexto é fundamental para a boa interpretação. No poema, reconhecer o emprego do subjuntivo como expressão de desejo e a limitação (“um ou dois”) como modéstia é essencial para resolver a questão.

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“Que ao menos" - Desejo.

"(...) e um ou dois dos meus futuros versos." - Modéstia. "D"

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