O silêncio e o ruído se opõem de maneira nítida e exclusiva. O ruído pode ser definido como uma série caótica de
sons, de choques. É nesse quadro que se opõe, por exemplo,
a suavidade dos campos silenciosos à dureza das cidades
ruidosas. O ruído é desagradável, violento. O silêncio, então,
marca uma ruptura: ele é ausência de ruídos. Opõe a um
caos sonoro uma superfície isolante branca que serve de anteparo. É a negação do ruído.
Evidentemente a relação que a música mantém com o
silêncio não é a mesma. O silêncio que precede a música
constitui sua preparação inicial, seu ponto de emergência,
talvez mesmo sua possibilidade pura. O silêncio que encerra
a música, o que vem imediatamente após a última nota, reúne nele a totalidade da melodia. Não é a negação da música,
mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.
(Adauto Novaes (org.). Mutações: o silêncio
e a prosa do mundo, 2014. Adaptado.)
O termo que qualifica o substantivo na expressão “última
nota” (2º parágrafo) tem sentido oposto ao termo que qualifica o substantivo em