“– O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Com...

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Ano: 2011 Banca: UFAC Órgão: UFAC Prova: UFAC - 2011 - UFAC - Vestibular - PRIMEIRO DIA - CADERNO A |
Q1375644 Português
“– O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias [...]
[...]
Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas e iguais também porque o sangue, que usamos tem pouca tinta [...]”
Disponível em: http://www.culturabrasil.pro.br/joaocabral demelonetoo.html.

Tomando a leitura e a interpretação dos fragmentos anteriores, e também as características da poesia modernista da Geração de 45, da qual João Cabral de Melo Neto é um dos expoentes, podemos dizer que:

I. A poesia de 45 caracteriza-se pela renovação estética.
II. O poema Morte e vida severina desenvolve temas relacionados ao social, à moral e ao político.
III. Embora o poema Morte e vida severina seja um auto de Natal de tradição ibérica, a métrica de seus versos não segue o modelo da tradição.

Das afirmações acima:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é literário-interpretativo: os fragmentos “Como há muitos Severinos” e “Somos muitos Severinos / iguais em tudo na vida” mostram a coletivização do sujeito e a leitura social da obra; por isso, a II é correta. A I também é स्वीकारada no enquadramento escolar da Geração de 45 como renovação estética, e a III não se sustenta no recorte apresentado.

Tema central: Geração de 45
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a afirmação II. Isso contraria o próprio texto, que generaliza a experiência do retirante em “Como há muitos Severinos” e “Somos muitos Severinos / iguais em tudo na vida”. O poema não trata só de um indivíduo; ele representa uma coletividade marcada por pobreza, desigualdade e despersonalização social.
B
Errada
Está errada porque exclui a afirmação I. No enquadramento adotado pela questão, a Geração de 45 é aceita como portadora de renovação estética, entendida como reorientação do Modernismo com rigor formal, contenção expressiva e elaboração construtiva. Portanto, não se pode manter apenas a II.
C
Errada
Está errada porque considera correta a afirmação III. Essa assertiva não se sustenta com segurança no recorte dado: o poema é associado à tradição do auto de Natal e mantém diálogo forte com formas tradicionais e cadências populares. Assim, a formulação “não segue o modelo da tradição” não pode ser aceita como verdadeira aqui.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as duas assertivas sustentadas pela base da questão. A I é aceita no tratamento histórico-literário escolar da Geração de 45 como renovação estética interna ao Modernismo, não como ruptura inaugural, mas como reorientação por depuração formal e rigor construtivo. A II é confirmada diretamente pelos fragmentos: “Como há muitos Severinos” e “Somos muitos Severinos / iguais em tudo na vida” mostram a coletivização do sujeito poético, e os versos sobre o corpo e o sangue reforçam a leitura social, crítica e humana da obra. Já a III deve ser rejeitada no recorte da questão, porque a formulação de que a métrica “não segue o modelo da tradição” é excessiva e não encontra apoio seguro nos fragmentos nem no modo como a obra é vinculada à tradição do auto de Natal.
E
Errada
Está errada porque toma como única correta justamente a afirmação III, que é a rejeitada no quadro da questão. Além disso, ignora evidências textuais claras da correção de II e desconsidera o enquadramento histórico-literário que leva à aceitação de I.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: ler “renovação estética” apenas como ruptura radical de 1922 e, assim, rejeitar indevidamente a I; tomar os versos como relato apenas individual e não como representação coletiva, errando a II; e confundir a elaboração própria de João Cabral com abandono da tradição formal, aceitando indevidamente a III.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão que mistura texto e história literária, confirme primeiro o que o fragmento prova diretamente antes de avaliar as afirmações teóricas.
  • Quando o poema generaliza o sujeito com marcas como “muitos” e “iguais”, isso indica coletivização e fortalece leitura social.
  • Em periodização literária, verifique se a expressão usada pela banca é ampla, como “renovação estética”, e não restrinja automaticamente o sentido à ideia de ruptura absoluta.
  • Desconfie de afirmações categóricas sobre forma, como “não segue a tradição”, quando o próprio enunciado vincula a obra a um gênero tradicional.

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