“Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo”A expres...

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Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2014 - FAMERP - Conhecimentos Gerais |
Q1335303 Português

Leia o texto de Oswaldo Porchat Pereira para responder às questão.


    A experiência do cotidiano nos brinda sempre com anomalias, incongruências, contradições. E, quando tentamos explicá-las, explicações à primeira vista razoáveis acabam por revelar-se insatisfatórias após exame mais acurado. A natureza das coisas e dos eventos não nos parece facilmente inteligível. As opiniões e os pontos de vista dos homens são dificilmente conciliáveis ou, mesmo, uns com os outros inconsistentes. Consensos porventura emergentes se mostram provisórios e precários. Quem sente a necessidade de pensar com um espírito mais crítico e tenta melhor compreender, essa diversidade toda o desnorteia.
   Talvez a maioria dos homens conviva bem com esse espetáculo da anomalia mundana. Uns poucos não o conseguem e essa experiência muito os perturba. Alguns destes se fazem filósofos e buscam na filosofia o fim dessa perturbação e a tranquilidade de espírito. Uma tranquilidade de espírito que esperam obter, por exemplo, graças à posse da verdade. A filosofia lhes promete explicar o mundo, dar conta da experiência cotidiana, dissipar as contradições, afastar as névoas da incompreensão. Revelando o ser, que o aparecer oculta; ou, se isso não for possível, desvendando os mistérios do conhecimento e deste delineando a natureza e os precisos limites; ou, pelo menos, esclarecendo a natureza e a função de nossa humana linguagem, na qual dizemos o mundo e formulamos os problemas da filosofia. A filosofia distingue e propõe-se ensinar-nos a distinguir entre verdade e falsidade, conhecimento e crença, ser e aparência, sujeito e objeto, representação e representado, além de muitas outras distinções.
    Mas a filosofia não nos dá o que nos prometera e buscáramos nela. Muito pelo contrário, o que ela nos descobre é uma extraordinária diversidade de posições e pontos de vista, totalmente incompatíveis uns com os outros e nunca conciliáveis. A discordância que divide o comum dos homens, nós a encontramos de novo nas filosofias, mas potencializada agora como ao infinito, de mil modos sofisticada num discurso arguto. Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo, nem mesmo sobre o objeto, a natureza ou o método do próprio empreendimento de filosofar.

(Rumo ao ceticismo, 2006. Adaptado.)

     

“Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo”


A expressão destacada na frase tem a mesma função sintática do termo destacado em:

Alternativas

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Tema central da questão: A questão avalia o reconhecimento da função sintática de termos destacados, em especial a identificação do suporte do sujeito em uma estrutura oracional conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Análise da frase original:
Em “Sobre coisa nenhuma se põem os filósofos de acordo”, o termo destacado é o sujeito da oração, pois indica quem realiza a ação expressa pelo verbo (quem se põe de acordo? os filósofos).

Justificativa para a alternativa correta (A):
Na alternativa A (A natureza das coisas e dos eventos não nos parece facilmente inteligível.”), a expressão destacada também exerce a função de sujeito. É sobre ela que o predicado faz uma afirmação (“não nos parece inteligível”), correspondendo exatamente à função sintática do termo destacado na frase original.
Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, p. 108), o sujeito é "um termo sobre o qual se declara algo", e esse entendimento se aplica plenamente aqui.

Análise das alternativas incorretas:

B)provisórios e precários” – são predicativos do sujeito (“consensos porventura emergentes”), atribuindo-lhes uma característica. Não são sujeito.

C)muito” – é advérbio, modificando o verbo “perturba”, intensificando a ação.

D)o” – pronome oblíquo funcionando como objeto direto, pois recebe a ação do verbo “desnortear”.

E)” – é verbo, núcleo do predicado, e não termo com função de sujeito.

Estratégias e dicas: Em questões como esta, leia atentamente cada frase, busque identificar o verbo principal e pergunte “quem faz ou sofre a ação?” para localizar o sujeito. Lembre-se de que sujeito nunca pode ser verbo, advérbio, objeto direto ou predicativo. Atenção redobrada às “pegadinhas” com funções parecidas!

Resumo: Alternativa correta: A. O termo destacado é sujeito em ambas as frases. Esta análise fundamenta-se em gramáticas referência como Bechara, Cunha & Cintra e Rocha Lima.

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sujeito posposto ao verbo

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