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Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2014 - FAMERP - Conhecimentos Gerais |
Q1335296 Português

Leia o poema de Fernando Pessoa para responder à questão


Autopsicografia 

O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente.


E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 


E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama o coração.

(Obra poética, 1984.)

Para a correta compreensão da terceira estrofe, deve-se entender que o sujeito de “Gira” é
Alternativas

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Tema central: Análise sintática — identificação do sujeito em um contexto poético-metafórico. A compreensão requer atenção à estrutura da oração e à função dos termos na frase, além da capacidade de interpretar figuras de linguagem presentes no texto.

Justificativa da alternativa correta (C):

Na terceira estrofe — “E assim nas calhas de roda / Gira, a entreter a razão, / Esse comboio de corda / Que se chama o coração” — o sujeito do verbo “Gira” é “Esse comboio de corda”. Conforme a norma-padrão, o sujeito concorda em número e pessoa com o verbo (Cunha & Cintra, Cap. 5). A estrutura, comum em poesia, desloca o sujeito para o verso seguinte, exigindo atenção sintática: o sentido correto da oração é “Esse comboio de corda gira, a entreter a razão”. Aqui, “esse comboio de corda” é metáfora para o coração, reforçando como a análise do sujeito exige também leitura semântica (Bechara, Cap. 7).

Estratégia para acertar:

Localize quem realiza a ação do verbo e verifique a concordância. Em versos que invertem a ordem substantivo-verbo, reconstrua mentalmente a frase em ordem direta — técnica essencial para evitar erros em poesia e questões interpretativas.

Análise das alternativas incorretas:

A) “roda”: Está em “nas calhas de roda”, funcionando como adjunto adverbial de lugar. Não pratica a ação.

B) o poeta: Não participa da ação de girar nesta estrofe. O foco é o coração, metaforizado.

D) “a razão”: Aparece em “a entreter a razão”, expressando a finalidade da ação. Não é o sujeito.

E) o leitor: Relaciona-se à estrofe anterior e não executa a ação descrita na terceira.

Pegadinhas:

Poesia frequentemente inverte a ordem sintática. Atenção especial para identificar o sujeito após o verbo, especialmente quando há sequências metafóricas ou inversões poéticas.

Resumo das regras envolvidas:

O sujeito é quem pratica ou sofre a ação do verbo, mesmo que deslocado. Segundo Cunha & Cintra, isso ocorre sobretudo na linguagem literária. Metáforas, conforme Bechara, exigem interpretação contextual para identificar os referentes.

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