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Ano: 2014 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2014 - FAMERP - Conhecimentos Gerais |
Q1335295 Português

Leia o poema de Fernando Pessoa para responder à questão


Autopsicografia 

O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente.


E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 


E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama o coração.

(Obra poética, 1984.)

Deduz-se, da leitura da primeira estrofe, que “o poeta” a que se refere o poema
Alternativas

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Tema central: A questão avalia interpretação de texto, especificamente a capacidade do candidato de compreender a linguagem poética e perceber o significado profundo das palavras e expressões do autor. São destacados aspectos semânticos (sentido de “fingir” e “deveras”), figuras de linguagem (metáfora do fingimento) e análise crítica do eu lírico.

Alternativa correta: D) transforma sua dor sentida em outra, simulada, diferente da original.

Justificativa:

Na primeira estrofe do poema, Fernando Pessoa afirma: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” Pela norma-padrão e pelo valor semântico dos termos, o verbo “fingir” indica simular. O poeta sente, de fato, a dor (“deveras sente”), mas ao escrever, ele transforma esse sentimento real em uma representação artística — um fingimento — gerando uma dor fictícia, diferente daquela realmente sentida. Trata-se de um processo de reelaboração artística, abordado em gramáticas como a de Evanildo Bechara quando discute o papel expressivo do texto literário.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta — Em nenhum momento o texto sugere que o poeta se livra da dor. Ele apenas a reelabora, não a elimina.

B) Incorreta — Embora correta ao dizer que o poeta sente dor e compõe, não expressa a essência do fingimento artístico, que é o foco central da estrofe.

C) Incorreta — O poeta não sente dores falsas; sente dor verdadeira, mas “finge” ao criá-la em forma de arte.

E) Incorreta — O texto destaca “fingimento” (artifício), e não uma expressão sem artifícios. “Deveras” apenas confirma que a dor existe, mas é transformada (“fingida”) para ser poesia.

Dica de interpretação: Este tipo de questão exige leitura atenta dos versos e reconhecimento de figuras de linguagem. Observe sempre palavras-chave (“fingidor”, “deveras sente”, “finge”) e relacione-as ao contexto. Cuidado com pegadinhas que distorcem o sentido literal para o figurado.

Portanto, a alternativa D é a única que reflete exatamente o processo criativo descrito no poema: o poeta transforma sua dor real em outra dor, fingida, criada pela arte. Essa leitura está de acordo com o que orientam Cunha & Cintra: a literatura reelabora a realidade pela linguagem.

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