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Dialogando com o público leitor
– Boa tarde, o senhor me desculpe eu estar interrompendo sua leitura, mas é só um minutinho. – Ah, pois não. – É o seguinte, não é o senhor que é o escritor? O menino ali me disse que o senhor é o escritor. – Bem, não sei se sou o escritor. Mas sou um escritor, sou, sim. – Madalena, venha cá, é ele! Madalena! Chame Rosalvo e os meninos, é ele? – O que foi que houve? – Madalena é minha esposa, ela estava com vergonha de perguntar se era o senhor mesmo o escritor. Ela me disse que já tinha ouvido muito falar no senhor. E Rosalvo é meu cunhado, que conhece sua obra, é gente boa. – Sim, eu... – Não vou interromper nada, pode ficar descansado, o senhor pode continuar com sua leitura. – Eu... – Madalena, é ele mesmo! Você tinha razão, é ele. É boa gente, você sabe? Estamos aqui numa prosa ótima, ele é a simplicidade em pessoa. Olha aí, Rosalvo, é ele. Pode sentar, rapaz, ele não morde, háhá! – Muito prazer, dá licença. – Eu... – Meu nome é Rosalvo Luiz da Anunciação Pereira, mas eu costumo assinar apenas Anunciação Pereira. – Ah, sim, interessante. – Admiro muito sua obra, O Sargento de Milícias. – Mas não fui eu quem escreveu esse, foi outro. Bem que podia ter sido eu, mas não fui eu. – Ah, então o senhor não é autor do “Sargento”? – Sou, mas de outro sargento, o Sargento Getúlio.
RIBEIRO, João Ubaldo. Contos e crônicas para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 59-63.
Assinale a alternativa CORRETA em relação ao texto lido.
Gabarito comentado
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Gabarito comentado – Interpretação de Texto
Tema central: A questão aborda interpretação de texto, exigindo do candidato a identificação de informações implícitas e a capacidade de reconhecer detalhes responsáveis pela coerência textual.
Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A está correta pois demonstra clara compreensão da causa da confusão apresentada no diálogo: a presença do termo sargento nos títulos das obras Memórias de um Sargento de Milícias e Sargento Getúlio. Essa ambiguidade lexical leva os personagens do texto a associarem erroneamente o autor a uma obra que ele não escreveu. Segundo Cunha & Cintra, esse tipo de ambiguidade pode gerar equívocos na interpretação quando palavras idênticas remetem a diferentes contextos ou significados.
Estratégia de leitura: Recomenda-se, em provas, sempre destacar palavras-chave e analisar cuidadosamente as relações de sentido entre elas, evitando julgamentos baseados apenas em menções superficiais ou títulos semelhantes.
Análise das alternativas incorretas:
B) Incorreta. O texto afirma explicitamente que João Ubaldo Ribeiro não escreveu Memórias de um Sargento de Milícias — ele reconhece ser autor de Sargento Getúlio. Logo, essa alternativa contradiz a informação textual clara.
C) Incorreta. Não há indício de que o escritor desejasse ser confundido com o autor da outra obra. O enredo expressa mais um desconforto polido diante do equívoco do interlocutor.
D) Incorreta. O uso de “um escritor” indica modéstia ou indefinição diante do reconhecimento social, e não autocrítica quanto à própria competência.
E) Incorreta. Em momento algum o texto sugere que o autor considera “Sargento Getúlio” um de seus piores romances; isso é uma informação indevida.
Resumo: A questão explora a interpretação textual e a capacidade de identificar informações implícitas, especialmente as que envolvem ambiguidade ou polissemia de palavras e títulos. Saber distinguir autores e suas obras é fundamental em situações de intertextualidade.
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