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Ano: 2016 Banca: IFF Órgão: IFF Prova: IF-TO - 2016 - IFF - Processo Seletivo e Vestibular - TO |
Q1338312 História
“A monarquia papal era tida como a forma mais perfeita de governo, dado inspirar-se em Deus, senhor único do universo, o qual o dispôs harmonicamente através duma única lei, a divina, em si mesma eterna e imutável. Tal paradigma devia igualmente aplicar-se ao corpo eclesiástico, no qual, desde então, o Pontífice Romano ocupa o primeiro lugar. (...) a Igreja tinha um programa a cumprir, o qual sempre transcendeu os seus intérpretes em cada época histórica (...). Não se tratava de um programa estrategicamente preparado e depois progressivamente executado, de acordo com as circunstâncias e os interesses de momento, por cada Papa. Tratava-se, antes, de um conjunto de princípios que, bebidos na autoridade revelada e conjugados com o direito antigo e a filosofia neoplatônica, não podiam senão levar a determinadas consequências, as quais eram consubstanciadas no dirigismo papal da sociedade cristã. E isto não aconteceu devido a um processo intencionalmente pensado e arquitetado, mas à conjuntura histórico-social da Idade Média, em que as esferas do espiritual e do secular só muito dificilmente poderiam ser pensadas como autônomas”.
Disponível em: SOUZA, José Antônio de C. R.; BARBOSA, João Morais. O reino de Deus e o reino dos Homens: as relações entre os podres espiritual e temporal na Baixa Idade Média (Da Reforma Gregoriana à João Quidort). Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997, p.15-115-116.
Sobre a Baixa Idade Média, identifique a afirmação incorreta:
Alternativas

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Alternativa correta (resposta esperada): B

Tema central: relações entre o poder papal e as instâncias seculares na Baixa Idade Média — especialmente o papel do papado (monarquia papal), a Querela das Investiduras, as Cruzadas, instrumentos de coerção e o apogeu do papado sob Inocêncio III. É preciso dominar cronologia básica e compreender causas/consequências (não confundir correlação com causalidade).

Resumo teórico: A partir das reformas gregorianas e do final do século XI, o papado buscou autoridade universal religiosa e crescente intervenção política. As Cruzadas (iniciadas em 1095) deram prestígio ao papado ao convocar e coordenar a cristandade; a Querela das Investiduras (século XI–XII) expôs o conflito entre suserania real e autoridade eclesiástica; instrumentos como excomunhão e interdição eram efetivos mecanismos de pressão; Inocêncio III (final do século XII–XIII) representou o ápice da influência papal sobre príncipes e dinâmicas políticas europeias. (Ver: Christopher Tyerman, The Crusades; Norman F. Cantor, The Civilization of the Middle Ages.)

Por que a alternativa B é a incorreta? Ela afirma que as Cruzadas “contribuíram para diminuir o poder do papado e confirmaram a superioridade das monarquias já no século XII”. Historicamente isso é impreciso: as Cruzadas, especialmente no começo, reforçaram o prestígio e a liderança moral do papado (Urban II, convocatória de 1095); não foram fator decisivo de enfraquecimento papal no século XII. A consolidação das monarquias foi um processo gradual (séculos XII–XIV) e não implicou, no século XII, na “superioridade” já confirmada sobre o papado.

Análise das alternativas incorretas (por que não são a resposta):

A — Correta historicamente: nos séculos XII–XIII houve intensos conflitos entre papado e monarcas (ex.: Investidura, controvérsias sobre jurisdição).

C — Correta: a Querela das Investiduras simboliza o confronto entre poder temporal e espiritual (ex.: Henrique IV vs. Gregório VII).

D — Correta: a Igreja tinha instrumentos reais de coerção (cruzadas contra hereges, excomunhão, interdição regional).

E — Correta: após a morte de Henrique VI, a tutela papal sobre Frederico (Inocêncio III) é vista como exemplo do auge da influência papal no início do século XIII.

Dica de prova: desconfie de afirmações absolutas ou de causalidades simples. Ligue cada afirmação à cronologia e aos agentes (papado, monarquias, nobrezas locais) antes de escolher.

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Comentários

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A afirmação está incorreta porque, no século XII, as Cruzadas causaram o efeito oposto: fortaleceram o poder do papado e não o das monarquias.

  • A Igreja liderou, financiou e unificou a Europa sob a autoridade do Papa, que atingiu o topo do seu poder político e espiritual.(Auge Papal)
  • No século XII, os reis ainda eram fracos e dividiam o poder com os senhores feudais. Eles não lideraram as primeiras expedições. ( Monarquias em transição)
  • O enfraquecimento da Igreja e a centralização do poder nas mãos dos reis só foram consolidados séculos depois (XIII e XIV), como uma consequência indireta da falência da nobreza feudal.

Espero ter ajudado, =)

Dá LIKE aí, LETRA B

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