A fala “quem manda em mim é meu pai” (11º parágrafo), passad...

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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407684 Português
Leia o trecho do romance Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles, para responder à questão.


Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.

— Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora.

Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga.

— Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda!

— Agora não posso.

— Não pode por quê?

— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente.

Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto.

— Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto?

Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio:

— Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai.

(Ciranda de pedra, 2009.)
A fala “quem manda em mim é meu pai” (11º parágrafo), passada ao discurso indireto, assume a seguinte redação:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão avalia a habilidade de transposição do discurso direto para o indireto, exigindo domínio das regras de adaptação de tempos verbais e pronomes segundo a norma-padrão. Segundo as gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra), esse processo envolve alterações que garantam coerência temporal e pronominal no contexto da narrativa.

Justificativa da alternativa correta – C) quem mandava nela era seu pai

No trecho original, a personagem diz: “quem manda em mim é meu pai”.

Ao transpor para o discurso indireto, considerando que o verbo de introdução (“afirmou”, “respondeu”, etc.) está no passado, aplicam-se duas regras essenciais:

  • Mudança de tempos verbais: O presente do indicativo (“manda” e “é”) é convertido para o pretérito imperfeito do indicativo (“mandava” e “era”), pois, conforme Bechara, p. 621, preserva-se o paralelismo temporal com a narrativa.
  • Adaptação pronominal: O pronome “mim” vira “nela” para referir-se à própria Virginia, e “meu” torna-se “seu”, contextualizando a posse sob o olhar do narrador.

Assim, a construção correta fica: quem mandava nela era seu pai.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Emprega seria (futuro do pretérito), inadequado, pois “é” deve virar “era” no discurso indireto.
  • B) Usa mandaria, forma verbal de futuro do pretérito: incorreta, pois o presente “manda” exige “mandava”.
  • D) Tanto mandaria quanto seria estão no tempo errado (futuro do pretérito); faltou observar a correspondência correta dos tempos.
  • E) Mantém todos os verbos no presente; não realiza qualquer adaptação temporal, falha comum em pegadinhas.

Dica de prova: Sempre observe o tempo do verbo introdutor ao transpor falas diretas! Mudanças sutis nos tempos ou pronomes, como nesta questão, são clássicas “pegadinhas” de concurso.

Resumo gramatical: O presente do indicativo no discurso direto passa para o pretérito imperfeito do indicativo no indireto. Os pronomes pessoais e possessivos devem ajustar-se ao novo ponto de vista.

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Comentários

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A alternativa correta é a C: quem mandava nela era seu pai.

Por que essa é a resposta correta?

Na transição do discurso direto para o discurso indireto, quando o verbo da narrativa está no passado (como em "exclamou" e "ergueu"), ocorrem as seguintes adaptações:

* Tempos Verbais: Os verbos que estão no Presente do Indicativo ("manda" e "é") são transformados para o Pretérito Imperfeito do Indicativo ("mandava" e "era").

* Pronomes: Os pronomes de primeira pessoa, que se referem a quem está falando no discurso direto ("mim" e "meu"), passam para a terceira pessoa no discurso indireto ("nela" — junção de em + ela — e "seu").

Dessa forma, "quem manda em mim é meu pai" se transforma corretamente em "(ela disse que) quem mandava nela era seu pai".

the trooper again

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