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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407677 História
    O crescimento desordenado de Manaus, em um processo histórico, privilegiou o transporte de rodas motorizado em detrimento de outros modais, como o hidroviário. Para Marcos Castro, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mesmo sendo cortada por igarapés e cercada por rios, a cidade nunca teve propostas concretas sobre o transporte coletivo urbano hidroviário. Segundo Castro, essa seria uma das soluções para desconcentrar a operação do transporte rodoviário. O professor completa, ainda, que a interligação das zonas ocorreria por meio de portos em toda a orla de Manaus. Nos bairros, a possibilidade seria a instalação de hidrovias urbanas nos igarapés.
(Marcelo Moreira. https://amazonasatual.com.br, 08.09.2023. Adaptado.)

São fatores que limitam a implantação do modal hidroviário em Manaus:
Alternativas

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Resposta correta: Alternativa D

Tema central: fatores físicos e urbanos que limitam a implantação do transporte hidroviário urbano em Manaus — especialmente a oscilações sazonais do nível dos rios (pulso de inundação da Amazônia) e o processo de canalização dos igarapés, que reduzem navegabilidade, segurança e possibilidade de implantação de terminais.

Resumo teórico: em regiões ribeirinhas a navegabilidade depende de profundidade estável, largura e continuidade do espelho d'água. Na Amazônia a grande amplitude anual entre cheia e seca (flood pulse) altera calados e acessos. Além disso, a canalização/retificação de igarapés (concreto, seções reduzidas) diminui profundidade útil, aumenta assoreamento local e impede instalação de hidropontos urbanos — dificultando a operação regular de embarcações de transporte coletivo.

Justificativa da alternativa D: ela identifica dois fatores diretamente ligados à viabilidade técnica do modal: as oscilações do nível (impedem operação contínua ao longo do ano; exigem embarcações adaptadas e infraestrutura flutuante complexa) e a canalização dos igarapés (reduz seção navegável e complica terminais). Esses pontos são debatidos por especialistas em mobilidade e gerenciamento de recursos hídricos (ver Agência Nacional de Águas - ANA; estudos urbanos sobre Manaus/UFAM).

Análise das alternativas incorretas:

A — Erro: menciona “baixa profundidade dos rios em planalto”. Manaus situa‑se na Bacia Amazônica (depósito aluvial), não em planalto; os rios principais têm grande calado. “Barreiras para conter alagamentos” são medidas de controle, não causa que inviabilize o modal.

B — Parcialmente verdadeira: poluição nos igarapés é problema urbano, mas não é o principal limitador técnico do modal; a variação de marés não é o fator mais relevante em Manaus (o desafio maior é a amplitude entre cheia e seca do Rio Negro/Solimões).

C — Errado: “elevado potencial pesqueiro” não impede transporte hidroviário; impermeabilização é um problema ambiental, porém não explica diretamente a inviabilidade operacional do modal como as oscilações de nível e a canalização.

E — Também incorreta: demandas de água para abastecimento não são o principal impeditivo ao uso do modal. O assoreamento dos igarapés é relevante, mas a alternativa D aponta o conjunto de causas mais diretamente relacionadas à navegabilidade urbana.

Dica de prova: ao avaliar alternativas, priorize fatores que afetam navegabilidade e infraestrutura (nível, profundidade, continuidade, obras de canalização) e desconsidere opções que trazem elementos periféricos ou não técnicos.

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A alternativa correta é a D: as oscilações do nível dos rios em diferentes épocas do ano e o processo de canalização dos igarapés.

Por que essa é a resposta correta?

A implantação de um sistema de transporte hidroviário urbano contínuo e eficiente em Manaus esbarra em dois grandes obstáculos geográficos e históricos locais:

* Oscilação do nível dos rios (Regime Fluvial): Os rios da bacia Amazônica passam por períodos extremos de cheia e de vazante (seca) ao longo do ano. Essa variação drástica (que pode passar de 10 a 14 metros de diferença de altura) dificulta enormemente a construção de portos e terminais fixos para passageiros, exigindo tecnologias mais complexas como píeres flutuantes que precisam ser ajustados constantemente.

* Canalização e degradação dos igarapés: O crescimento desordenado de Manaus resultou no aterramento, na pavimentação e na canalização de vários igarapés (pequenos rios que cortam a cidade) para a construção de ruas e avenidas. Além disso, muitos se transformaram em canais de esgoto a céu aberto, perdendo totalmente sua capacidade de navegação e integração ao transporte urbano.

Análise das alternativas incorretas:

* A (baixa profundidade e rios de planalto): Incorreta. Os principais rios que banham Manaus (como o Rio Negro e o Solimões) não são rios de planalto, mas sim rios de planície em sua maior extensão nessa área, e possuem grande profundidade na maior parte do ano.

* B (marés e poluição): Incorreta. A variação oceânica (marés) não é o fator natural determinante que impossibilita o transporte diário dentro de Manaus, pois a cidade está muito distante do oceano. O problema real é a variação sazonal (cheias e secas).

* C (potencial pesqueiro): Incorreta. A atividade de pesca não impede ou limita estruturalmente a instalação de modais de transporte hidroviário.

* E (abastecimento de água): Incorreta. O volume de água dos rios da bacia Amazônica é tão colossal que a captação para o abastecimento urbano não altera o nível dos rios a ponto de impedir a navegação.

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