A sociedade brasileira organizou-se hierarquicamente pe...

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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UEA Prova: VUNESP - 2024 - UEA - Conhecimentos Específicos e Redação - Grupo II |
Q3407662 História
    A sociedade brasileira organizou-se hierarquicamente pela cor da pele, ocupando os brancos o topo da hierarquia, os mulatos, mestiços e outros pardos, o meio, e os africanos escravizados, a base. [...] Os engenhos não criaram essas hierarquias, mas suas estruturas internas, com proprietários de origem europeia, trabalhadores coagidos, primeiro indígenas e depois africanos, e uma série de artesãos e outras posições ocupadas por brancos pobres, ex-escravos libertos e povos de origem mista, tendiam a reforçar e expor as estruturas constituintes da sociedade. Neste sentido, os engenhos foram ao mesmo tempo geradores e espelhos da sociedade brasileira durante a grande época açucareira.
(Stuart Schwartz. “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial”. In: João Luís R. Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa. O Brasil Colonial, 2018.)

O excerto relaciona os engenhos de açúcar do período colonial à
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Resposta: alternativa A

Tema central: a organização social do Brasil colonial a partir dos engenhos de açúcar, que funcionaram como microcosmos da sociedade e reforçaram uma hierarquia racial e social.

Resumo teórico: Nos séculos XVI–XVIII os engenhos concentraram propriedade de terra e capital nas mãos de brancos de origem europeia; a produção açucareira dependia de trabalho coercitivo — primeiro indígena, depois maciça e sistematicamente africano escravizado — e havia uma estratificação que colocava brancos no topo, mestiços/pardos no meio e negros escravizados na base. Assim, os engenhos foram produtores e exibidores dessa estrutura social (Stuart Schwartz, “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial”, in O Brasil Colonial, 2018).

Por que a alternativa A é correta: ela sintetiza a ideia do excerto: os engenhos não só reproduziam como acentuavam hierarquias sociais baseadas em cor/etnia e papel socioeconômico (proprietários, trabalhadores forçados, artesãos, libertos). A expressão “geradores e espelhos” indica essa dupla função.

Análise das alternativas incorretas:

B — Mobilidade social pela alforria: incorreta. Embora houvesse possibilidade de alforria, ela foi limitada e não gerou grande mobilidade social capaz de dissolver a hierarquia racial que os engenhos reforçavam.

C — Democracia racial: incorreta. A miscigenação existiu, mas a ideia de “democracia racial” é um mito interpretativo posterior; no período colonial as relações eram profundamente desiguais e hierarquizadas.

D — Diversificação econômica: incorreta. Os engenhos eram pilares da monocultura açucareira; embora existissem artesãos e atividades complementares, a lógica econômica dominante era a produção e exportação de açúcar — não uma diversificação que alterasse a base social descrita.

E — Ocupação do sertão por novas terras: incorreta. A expansão para o interior teve outras motivações (pecuária, bandeirismo, mineração) e não foi impulso direto dos engenhos açucareiros no sentido apresentado.

Fonte recomendada: Stuart B. Schwartz, “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial” (in O Brasil Colonial, João Luís R. Fragoso & Maria de Fátima Gouvêa, 2018).

Estratégia de prova: ao ler enunciados, destaque termos que expressam relação causal (ex.: “geradores e espelhos”) e os elementos sociais citados (proprietários, trabalhadores coagidos, artesãos). Esses termos indicam hierarquia, não mobilidade ou democracia racial.

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Comentários

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A alternativa correta é a A) consolidação de estruturas sociais baseadas na etnia e na ocupação dos indivíduos.

Por que esta é a resposta correta?

O texto de Stuart Schwartz deixa claro que a estrutura interna dos engenhos de açúcar não apenas refletia, mas também ajudava a consolidar a divisão da sociedade colonial brasileira. Essa divisão era baseada em dois pilares principais mencionados no excerto:

* Etnia/Cor da pele: O texto descreve uma hierarquia rígida onde os brancos de origem europeia ocupavam o topo, pessoas pardas/mestiças ocupavam o meio, e indígenas e africanos escravizados ficavam na base.

* Ocupação: A posição social estava diretamente ligada à função exercida no engenho, dividindo-se entre proprietários (donos dos meios de produção), artesãos/trabalhadores livres (posições intermediárias) e trabalhadores coagidos/escravizados (trabalho braçal forçado).

As outras alternativas estão incorretas porque:

* B fala em "grande mobilidade social", o que contraria a ideia de uma sociedade rigidamente estratificada e escravocrata.

* C menciona "democracia racial", um conceito refutado pelo próprio texto, que descreve uma hierarquia explícita baseada na cor da pele.

* D foca na diversificação econômica, mas o tema central do excerto é a estratificação social.

* E aborda a ocupação do sertão, um tema geográfico e expansivo que não é tratado no trecho.

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