A sociedade brasileira organizou-se hierarquicamente pe...
(Stuart Schwartz. “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial”. In: João Luís R. Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa. O Brasil Colonial, 2018.)
O excerto relaciona os engenhos de açúcar do período colonial à
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Resposta: alternativa A
Tema central: a organização social do Brasil colonial a partir dos engenhos de açúcar, que funcionaram como microcosmos da sociedade e reforçaram uma hierarquia racial e social.
Resumo teórico: Nos séculos XVI–XVIII os engenhos concentraram propriedade de terra e capital nas mãos de brancos de origem europeia; a produção açucareira dependia de trabalho coercitivo — primeiro indígena, depois maciça e sistematicamente africano escravizado — e havia uma estratificação que colocava brancos no topo, mestiços/pardos no meio e negros escravizados na base. Assim, os engenhos foram produtores e exibidores dessa estrutura social (Stuart Schwartz, “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial”, in O Brasil Colonial, 2018).
Por que a alternativa A é correta: ela sintetiza a ideia do excerto: os engenhos não só reproduziam como acentuavam hierarquias sociais baseadas em cor/etnia e papel socioeconômico (proprietários, trabalhadores forçados, artesãos, libertos). A expressão “geradores e espelhos” indica essa dupla função.
Análise das alternativas incorretas:
B — Mobilidade social pela alforria: incorreta. Embora houvesse possibilidade de alforria, ela foi limitada e não gerou grande mobilidade social capaz de dissolver a hierarquia racial que os engenhos reforçavam.
C — Democracia racial: incorreta. A miscigenação existiu, mas a ideia de “democracia racial” é um mito interpretativo posterior; no período colonial as relações eram profundamente desiguais e hierarquizadas.
D — Diversificação econômica: incorreta. Os engenhos eram pilares da monocultura açucareira; embora existissem artesãos e atividades complementares, a lógica econômica dominante era a produção e exportação de açúcar — não uma diversificação que alterasse a base social descrita.
E — Ocupação do sertão por novas terras: incorreta. A expansão para o interior teve outras motivações (pecuária, bandeirismo, mineração) e não foi impulso direto dos engenhos açucareiros no sentido apresentado.
Fonte recomendada: Stuart B. Schwartz, “O Nordeste açucareiro no Brasil colonial” (in O Brasil Colonial, João Luís R. Fragoso & Maria de Fátima Gouvêa, 2018).
Estratégia de prova: ao ler enunciados, destaque termos que expressam relação causal (ex.: “geradores e espelhos”) e os elementos sociais citados (proprietários, trabalhadores coagidos, artesãos). Esses termos indicam hierarquia, não mobilidade ou democracia racial.
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Comentários
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A alternativa correta é a A) consolidação de estruturas sociais baseadas na etnia e na ocupação dos indivíduos.
Por que esta é a resposta correta?
O texto de Stuart Schwartz deixa claro que a estrutura interna dos engenhos de açúcar não apenas refletia, mas também ajudava a consolidar a divisão da sociedade colonial brasileira. Essa divisão era baseada em dois pilares principais mencionados no excerto:
* Etnia/Cor da pele: O texto descreve uma hierarquia rígida onde os brancos de origem europeia ocupavam o topo, pessoas pardas/mestiças ocupavam o meio, e indígenas e africanos escravizados ficavam na base.
* Ocupação: A posição social estava diretamente ligada à função exercida no engenho, dividindo-se entre proprietários (donos dos meios de produção), artesãos/trabalhadores livres (posições intermediárias) e trabalhadores coagidos/escravizados (trabalho braçal forçado).
As outras alternativas estão incorretas porque:
* B fala em "grande mobilidade social", o que contraria a ideia de uma sociedade rigidamente estratificada e escravocrata.
* C menciona "democracia racial", um conceito refutado pelo próprio texto, que descreve uma hierarquia explícita baseada na cor da pele.
* D foca na diversificação econômica, mas o tema central do excerto é a estratificação social.
* E aborda a ocupação do sertão, um tema geográfico e expansivo que não é tratado no trecho.
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