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O mundo é dos negócios
Os fundos de investimento e as grandes corporações se regem pela busca do lucro, e nem mesmo esta enorme crise que vivemos demove essas organizações de sua finalidade última e primeira: explorar os homens e a natureza sem precisar enfrentar limites
Estamos em uma crise ambiental global sem precedentes, e as expectativas em relação aos resultados da 30a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que vai ocorrer em novembro, em Belém, não são das melhores.
A conferência acontece em um momento em que o aquecimento global já tem consequências diretas e devastadoras sobre todos os ecossistemas. O aquecimento global promove mudanças no regime de chuvas, aumento da frequência e intensidade de fenômenos meteorológicos extremos, ondas de calor mais intensas e duradouras, chuvas torrenciais inesperadas e períodos prolongados de seca. A agricultura, a gestão dos recursos hídricos e a biodiversidade são afetadas de maneira drástica, levando à fome e à extinção de espécies, a migrações em áreas desertificadas, à inundação pelo mar de áreas e cidades costeiras, a chuvas torrenciais nas cidades.
Extraímos a eletricidade da queima de carvão, petróleo ou gás, gerando dióxido de carbono e óxido nitroso, gases de efeito estufa que recobrem o planeta e retêm o calor do Sol. A proporção de combustíveis fósseis na matriz energética global de 2023 permaneceu em 81,5%, uma queda de apenas 0,5% em relação ao ano anterior.
Toda essa degradação ambiental é consequência do modelo de desenvolvimento capitalista da segunda metade do século XX, que desenvolveu a capacidade das grandes empresas de operarem em grande escala e promoverem exponencialmente a queima de combustíveis fósseis.
BAVA, Sílvio Caccia. O mundo dos negócios [Editorial]. Le Monde Diplomatique Brasil. Ed. 214, 2 maio 2025. Disponível em: https://diplomatique.org.br/o-mundoe-dos-negocios/. Acesso em: 15 maio 2025. (Adaptado).
O conteúdo do editorial apresentado levanta questionamentos filosóficos relacionados ao campo da ética, já que a degradação e destruição do meio ambiente
Gabarito comentado
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Resposta correta: E
Tema central: ética ambiental — responsabilidade sobre a degradação ecológica, alcance dos impactos e agentes mais determinantes (indivíduos x instituições/corporações). Para resolver a questão é preciso distinguir responsabilidade moral (ética) de responsabilidade jurídica e entender o papel das grandes empresas nas externalidades ambientais.
Resumo teórico: A Constituição Federal (art. 225) assegura o direito a um meio ambiente equilibrado e impõe deveres ao poder público e à coletividade. A teoria ética ambiental aborda responsabilidades individuais e coletivas; normas e princípios relevantes incluem o princípio do poluidor‑pagador e da precaução (presentes na legislação ambiental brasileira, ex.: Lei nº 6.938/1981 — Política Nacional do Meio Ambiente). Grandes emissores e corporações têm impacto desproporcional sobre clima e biodiversidade; portanto, além de responsabilidade individual, existe responsabilidade institucional e regulatória.
Por que a alternativa E é correta: Ela afirma que os danos ambientais repercutem diretamente na manutenção da vida e atribui responsabilidade não só aos indivíduos, mas sobretudo às instituições e grandes corporações — alinhado ao texto-base e ao entendimento jurídico/ético contemporâneo: atores econômicos de grande escala geram impactos sistêmicos que exigem regulação, políticas públicas e responsabilidade empresarial.
Análise das incorretas:
A: reduz o problema a usos domésticos e transfere a tarefa apenas ao poder público — negligencia o impacto empresarial e a necessidade de responsabilização corporativa.
B: afirma irreversibilidade total e impossibilidade de medidas políticas/tecnológicas — contradiz dados e políticas de restauração, mitigação e tecnologias de redução de emissões.
C: apresenta uma falsa dicotomia: progresso ≡ destruição ambiental. Ignora possibilidades de desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica que reduzem impactos.
D: trata os efeitos como apenas locais/regionais e defende medidas fragmentadas — ignora a natureza global do clima e a interdependência dos ecossistemas.
Dica para prova: procure palavras absolutas (sempre, nunca, irreversível) e compare o foco das alternativas com o enunciado (quem provoca e quem deve responder). Questões de ética ambiental costumam exigir distinguir responsabilidade individual e coletiva/institucional.
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