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“Se a Geografia deseja interpretar o espaço humano como o fato histórico que ele é, somente a história da sociedade mundial, aliada à da sociedade local, pode servir como fundamento à compreensão da realidade espacial e permitir a sua transformação a serviço do homem. Pois a História não se escreve fora do espaço e não há sociedade a-espacial. O espaço, ele mesmo, é social”. SANTOS, M. Sociedade e espaço: a formação social como teoria e como método. In: Santos, M. Espaço e sociedade: Ensaios. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1982, p. 152.
Com base nesta premissa, de que o espaço geográfico é um produto social, analise as afirmações a seguir:
I. A revolução industrial, como um fenômeno extenso e radical, provocou profundas alterações no espaço urbano europeu e mundial, intensificando, em escala nunca vista antes, o processo de urbanização. II. A emergência do capitalismo, na sua fase industrial, ou seja, após a superação de sua fase manufatureira, não implicou em grandes transformações espaciais, pois a industrialização não interfere no processo de produção do espaço geográfico. III. A revolução industrial implicou no processo de produção capitalista do espaço geográfico. Ocasionou uma relação de igualdade entre os países capitalistas centrais e os países capitalistas subordinados no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico.
Está(ão) correta(s):
Gabarito comentado
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Alternativa correta: C — Somente a proposição I.
Tema central: compreensão do espaço geográfico como produto social — ideia-chave de Milton Santos — e os impactos da Revolução Industrial e do capitalismo sobre a organização espacial.
Resumo teórico: Segundo Milton Santos, o espaço é social: produzido pelas práticas e relações sociais. Complementam essa visão Henri Lefebvre (A Produção do Espaço) e teorias do sistema-mundo (Wallerstein) que mostram como processos econômicos reestruturam territórios, hierarquizando-os. A Revolução Industrial promoveu urbanização acelerada, redes de transporte, concentração fabril e novas formas de organização do solo urbano e regional.
Por que I está correta: a afirmação I diz que a Revolução Industrial provocou profundas alterações espaciais e intensificou a urbanização — fato histórico documentado: migração campo→cidade, crescimento de centros industriais, reconfiguração de circulação e habitação. Isso é compatível com Santos e Lefebvre.
Por que II está errada: afirma que a industrialização (fase industrial do capitalismo) não implicou grandes transformações espaciais. É contraditório: industrialização transforma modos de produção, logística, uso do solo e padrões urbanos — logo, altera o espaço social. A negativa absoluta (“não interfere”) é falsa.
Por que III está errada: embora a Revolução Industrial tenha produzido o espaço capitalista, a proposição afirma uma relação de igualdade tecnológica entre países centrais e subordinados — o que não ocorreu. Pelo contrário, gerou desigualdades tecnológicas e econômicas entre centro e periferia, característica central da divisão internacional do trabalho.
Dica de interpretação: fique atento a termos absolutos (“não implicou”, “igualdade”); em temas históricos-geográficos, processos geralmente promovem transformações e desigualdades. Identifique autores e conceitos (espaço como produto social, produção do espaço, centro/periferia) para validar as alternativas.
Fontes sugeridas: Milton Santos, Sociedade e Espaço (1982); Henri Lefebvre, A Produção do Espaço (1974); Immanuel Wallerstein, World-Systems Analysis.
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