Em relação ao poema “A última nau”, pode-se afirmar que:

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Ano: 2017 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2017 - FAMERP - Conhecimentos Gerais |
Q1335930 Português
Leia o poema “A última nau”, da obra Mensagem, de Fernando Pessoa, para responder à questão.

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago1
Erma2 , e entre choros de ânsia e de pressago3
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro
E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

(Obra poética, 1987.)
1aziago: funesto.
2erma: solitária.
3pressago: presságio.
Em relação ao poema “A última nau”, pode-se afirmar que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto poético, associando semântica, simbolismo e coesão textual.

O poema trabalha o mito do retorno de D. Sebastião, rei de Portugal que desapareceu na batalha de Alcácer Quibir, e cuja figura está envolta em mistério e esperança de retorno.

ALTERNATIVA CORRETA: C) entre a cerração, o vulto baço que torna é o de El-Rei D. Sebastião.

Segundo os versos: “Vejo entre a cerração teu vulto baço / Que torna.”, o eu-lírico enxerga, em meio à névoa (cerração), a figura suavizada (“vulto baço”) de D. Sebastião retornando (“que torna”). Pela norma-padrão e pelas orientações de semântica (Bechara, 2019), “cerração” simboliza incerteza e mistério; “vulto baço” sugere algo difuso, reforçando o caráter lendário da volta do rei. O “teu” faz referência direta a D. Sebastião, fato fundamental para a resposta correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta: Não há, no poema, menção clara de que a névoa causou a derrota portuguesa. O texto trabalha o mistério em torno da partida e do retorno, não sobre causas da derrota.

B) Incorreta: O sentimento citado é de “choros de ânsia e de pressago Mistério”, ou seja, pressentimento negativo, nunca certeza da vitória.

D) Incorreta: D. Sebastião embarca na nau (“Levando a bordo El-Rei D. Sebastião”), não assiste à partida. A alternativa distorce o papel do rei no texto.

E) Incorreta: O poema reforça a incerteza sobre o retorno (“Não sei a hora, mas sei que há a hora”). Não há hora marcada; a dúvida é elemento central.

Estratégias para acertar esse tipo de questão: Leia cuidadosamente procurando elementos-chave (pronomes, metáforas, construções temporais), relacione referências contextuais (“cerração”, “vulto”, “torna”) e procure por contradições entre as alternativas e o que está realmente escrito. Atenção especial à semântica dos termos!

Para Celso Cunha & Lindley Cintra, na Nova Gramática, interpretar exige atenção à coesão referencial e às construções simbólicas do texto — ambos presentes aqui.

Resumo: A alternativa C é correta, pois identifica, de modo fiel ao texto, o retorno simbólico de D. Sebastião entre a névoa e o mistério.

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