Na Idade Média, a despeito de o ato de duvidar ter sido cons...
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A dúvida pode significar o fim de uma fé, ou pode significar o começo de outra. Em dose moderada, estimula o pensamento. Em excesso, paralisa-o. A dúvida, como exercício intelectual, proporciona um dos poucos prazeres puros, mas, como experiência moral, ela é uma tortura. Aliada à curiosidade, é o berço da pesquisa
e assim de todo conhecimento sistemático. Em estado destilado, mata toda curiosidade e é o fim de todo conhecimento. |
Gabarito comentado
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Resposta: C — certo
Tema central: a relação entre dúvida (ou reserva crítica) e o desenvolvimento da filosofia natural na Idade Média. A questão pede avaliar se, apesar da crítica teológica à dúvida religiosa, o exame crítico em assuntos naturais favoreceu avanços conceituais — e a resposta é afirmativa.
Resumo teórico e justificativa: Não é verdade que a Idade Média tenha sido um bloqueio absoluto ao pensamento crítico. O contexto universitário e escolástico (séculos XII–XIV) promoveu o debate sistemático: tradução de Aristóteles, método disputativo e ênfase na razão como instrumento para interpretar a natureza. Isso gerou várias contribuições relevantes à filosofia natural e às ciências:
Exemplos práticos — Robert Grosseteste e seus estudos de óptica; Roger Bacon e a defesa de experimentação prática (Opus Majus); Jean Buridan e a formulação da teoria do ímpetus (precursora da inércia); Nicole Oresme e análises matemáticas de movimento e representações gráficas. Esses nomes e trabalhos mostram que questionamentos metódicos sobre a natureza produziram conceitos importantes que depois influenciaram a ciência moderna.
Fontes relevantes: obras primárias (por exemplo, Opus Majus de Roger Bacon; tratados de Grosseteste) e estudos de historiadores da ciência — p.ex., Edward Grant, The Foundations of Modern Science in the Middle Ages — que documentam como o empreendimento intelectual medieval preparou bases metodológicas e conceituais.
Estratégia para interpretar a questão: repare na expressão “a despeito de”: ela sinaliza contraste entre dois aspectos (proibição teológica vs. prática intelectual). Em questões históricas, identifique atores (escolásticos, universidades) e evidências concretas (textos, teorias, instituições) que sustentem a afirmação.
Por que esta alternativa é correta: porque reconhece a complexidade histórica — embora a dúvida sobre a fé pudesse ser condenada, a dúvida metodológica aplicada à filosofia natural favoreceu investigação, debates e formulação de conceitos que alimentaram a tradição científica nascente. Portanto, a afirmação apresentada está em conformidade com as pesquisas históricas sobre o tema.
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